Análise de Custo-benefício (ACB) de Medidas de Adaptação às Mudanças do Clima no Semiárido Brasileiro

Desde o início de 2016, a pedido da Agência Nacional de Águas (ANA), o GVces vem desenvolvendo uma análise de custo benefício (ACB) de medidas de adaptação na bacia hidrográfica do Piancó-Piranhas-Açu, localizada em PB e RN 18/07/2017
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Trecho do rio Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte (crédito: Fábio Pinheiro/Flickr - CC BY 2.0)

A maior frequência de eventos climáticos extremos no Brasil, como as secas no Nordeste e Sudeste e as inundações na região amazônica, e suas consequências sociais, econômicas e ambientais demonstraram a relevância de se aprofundar em análises e ferramentas que visem trazer maior resiliência e capacidade de resposta de governos e empresas à variabilidade climática.

Para algumas bacias hidrográficas, a necessidade de adaptação é latente. Este é o caso da Bacia do Piancó-Piranhas-Açu, localizada no sertão semiárido da Paraíba e do Rio Grande do Norte. Imersa em uma seca severa há cinco anos, a região vive dificuldades sociais e econômicas graves decorrentes da falta de chuva e da escassez de água potável, limitada apenas a fontes artificiais, como açudes e barragens, além de caminhões-pipa. 

Este caso ilustra bem o desafio do semiárido nordestino no contexto da mudança do clima, uma região apontada por estudos como uma das suscetíveis no Brasil aos efeitos das alterações climáticas globais. Medidas de adaptação à mudança do clima são fundamentais para esta região.

Neste sentido, a Agência Nacional de Águas (ANA) contratou o GVces em 2015 para desenvolver uma análise custo-benefício (ACB) de potenciais medidas de adaptação na Bacia Hidrográfica do Piancó-Piranhas-Açu. 

Através de uma análise conjunta de clima atual e futuro, seus impactos hidrológicos e econômicos, o estudo avalia perda econômica decorrente da não consideração das mudanças do clima no planejamento hídrico regional, para posteriormente avaliar a viabilidade econômica de medidas adaptativas.

Ao longo de 2016, o estudo desenvolveu suas duas primeiras etapas, que consistiram em estimar a falta de água na bacia em um horizonte de 50 anos e a perda econômica associada a tal escassez. Para tanto, foram concebidos cenários climáticos de disponibilidade hídrica futura e desenvolvimento socioeconômico. Esta simulação, feita em um software de alocação de água, forneceu os déficits hídricos na bacia, que, por métodos de estimação, foram traduzidos em perdas econômicas.

Já em 2017, o estudo entra em nova fase, onde são propostas medidas de adaptação, como grandes obras infraestruturais, focadas em usos rurais, em usuários urbanos, na indústria ou grandes irrigantes, assim como cenários de desenvolvimento alternativos. Cada medida tem seu possível benefício hídrico e custo associado de viabilização. O objetivo final desta análise será aferir a relação entre custo e benefício de cada medida e assim auxiliar na tomada de decisão para um futuro mais resiliente na região.

Os resultados dos estudo estarão disponíveis em breve.