Análise de Custo-benefício (ACB) de Medidas de Adaptação às Mudanças do Clima no Semiárido Brasileiro

Desde o início de 2016, a pedido da Agência Nacional de Águas (ANA), o GVces vem desenvolvendo uma análise de custo benefício (ACB) de medidas de adaptação na bacia hidrográfica do Piancó-Piranhas-Açu, localizada em PB e RN 01/12/2017
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Trecho do rio Piranhas-Açu no Rio Grande do Norte (crédito: Fábio Pinheiro/Flickr - CC BY 2.0)

A maior frequência de eventos climáticos extremos no Brasil, como as secas no Nordeste e Sudeste e as inundações na região amazônica, bem como suas consequências sociais, econômicas e ambientais demonstram a relevância e necessidade em se aprofundar análises e ferramentas que visem maior resiliência e capacidade de resposta à crescente variabilidade climática.

Para algumas bacias hidrográficas, a necessidade de adaptação é latente. Este é o caso da Bacia dos Rios Piancó-Piranhas-Açu, localizada entre o sertão da Paraíba e do Rio Grande do Norte e imersa em uma seca severa há mais de cinco anos, a região vive dificuldades sociais e econômicas graves decorrentes da ausência de chuva e consequente escassez de água potável. Em função dos níveis críticos de armazenamento nos principais reservatórios, a população segue vulnerável e, em muitos casos, dependente de caminhões-pipa. 

Ilustrando bem o desafio do semiárido, tem-se nessa área, apontada como uma das mais suscetíveis no Brasil aos efeitos das alterações climáticas globais, um reflexo dos novos desafios impostos pela mudança do clima. Pensar em medidas de adaptação é fundamental no atual contexto, principalmente para as regiões mais expostas ao risco. Neste sentido, a Agência Nacional de Águas (ANA) contratou o GVces em 2015 para desenvolver uma Análise Custo-Benefício (ACB) de potenciais medidas de adaptação na Bacia Hidrográfica dos Rios Piancó-Piranhas-Açu. 

Por meio de uma análise das condições climáticas atuais e futuras, e seus impactos hidrológicos e econômicos, o estudo avalia a perda econômica decorrente da não consideração da mudança do clima no planejamento hídrico regional, avaliando, posteriormente, a viabilidade econômica de medidas adaptativas em potencial. 

Ao longo de 2016, foram desenvolvidas as duas primeiras etapas, que consistiram em estimar a falta de água na bacia em um horizonte de 50 anos, definindo o Risco Físico, e a perda econômica associada a tal escassez, o Risco Climático Total. Os principais elementos dessas etapas, bem como os resultados obtidos encontram-se mais abaixo nesta página.  

Na sequência, já em 2017, o estudo entrou em nova fase, onde foram propostas diversas medidas de adaptação com diferentes focos de atuação. Cada medida carrega um potencial benefício hídrico e custo associado de viabilização. O objetivo final foi então aferir a relação entre esses dois parâmetros, obtendo assim, a Relação Custo-Benefício de cada medida. Resultados dessa natureza são ferramentas poderosas para auxiliar na tomada de decisão mais consciente em relação à mudança do clima, trazendo maior resiliência para a bacia no futuro. Abaixo você pode acessar o relatório com a descrição das medidas de adaptação consideradas e os resultados finais da ACB.

Cada uma dessas etapas envolveu diferentes elementos para sua constituição. Passos específicos da ACB demandaram metodologias distintas e singulares, estando estas detalhadas nos apêndices que acompanham cada relatório, sendo o conjunto dos produtos apresentados abaixo. 

Relatório da Caracterização do Risco Climático Total da Bacia em Setores Usuários

Apêndice - Composição de Cenários Climáticos Consensuais: Séries de Vazões Futuras

Apêndice - Demandas Hídricas Futuras 

Apêndice - Simulações de Alocação de Água na Bacia a partir de um Sistema de Suporte à Decisão (AcquaNet)

Apêndice - Estimação de Perdas Econômicas

Relatório sobre Análise de Custo-benefício de Medidas de Adaptação

Apêndice - Ficha de Resultados das Medidas de Adaptação

Apêndice - Para além da ACB: Medidas exploratórias

Além desses relatórios, que expõem todo o processo de concepção e realização de uma ACB para medidas adaptativas, foram produzidos documentos auxiliares com a função de fornecer maior base conceitual ao processo, são eles: 

Relatório sobre Aprofundamento do Entendimento (Científico/Acadêmico) de Medidas e/ou seus Elementos Tidos como Mais Estratégicos - Volume I: Métodos de estimação de perda econômica

Relatório sobre Aprofundamento do Entendimento (Científico/Acadêmico) de Medidas e/ou seus Elementos Tidos como Mais Estratégicos - Volume II: Caracterização de Medidas de Adaptação Possíveis

Com a finalização da ACB, foi reconhecida a pertinência de análises mais aprofundadas e, assim, foram propostas atividades complementares como o cálculo do Risco Climático Total associado a seca atual, o estudo de indicadores para detalhamento das influências de cada medida, a avaliação dos custos e benefícios quando se implementa mais de uma medida ao mesmo tempo e, por fim, recomendações para o planejamento hídrico da bacia. 

No momento, a primeira atividade já se encontra finalizada e as restantes estão em fase de desenvolvimento, com previsão de conclusão no início de 2018. O relatório com as considerações a respeito da crise atual encontra-se abaixo.

Caracterização do Risco Climático Total da Bacia baseado em Setores Usuários referente à Seca Atual e Recente