Archive for janeiro, 2009

Vulnerabilidade, impacto e adaptação de espécies e ecossistemas às mudanças climáticas

sexta-feira, janeiro 30th, 2009

Ontem, 29/01/09, O ECO, publicou uma reportagem de Aldem Bourscheit intitulada ?Novo habitante no estuário sulista?. O texto fala sobre impactos das mudanças climáticas e da destruição de habitats na biodiversidade, citando exemplos de aves que alteraram sua distribuição nas últimas décadas no Brasil e em outros países.

A reportagem apresenta o atraso do Brasil nas pesquisas sobre impactos e vulnerabilidade da biodiversidade frente às mudanças climáticas e fornece o link para alguns artigos científicos sobre as alterações na distribuição no Brasil da garça-azul (Egretta caerulea) e do socó-caranguejeiro (Nyctanassa violacea), além de um atlas projetando os impactos da alteração do clima sobre 150 espécies de aves do Leste Norte-Americano, feito em 2004.

Há uma grande carência de estudos e recursos para estudos sobre impactos e vulnerabilidades da biodiversidade às mudanças climáticas no Brasil, mas há algumas linhas de apoio para pesquisas. O Programa de Incentivo à Conservação da Natureza da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza tem por objetivo patrocinar projetos que contribuam efetivamente para a conservação da natureza no Brasil, por meio do apoio a ações nas seguintes linhas temáticas:

- Conservação de espécies e comunidades silvestres em ecossistemas naturais;

- Políticas voltadas à conservação de ecossistemas naturais;

- Regeneração de ecossistemas naturais;

- Prevenção ou controle de espécies invasoras;

- Criação ou manejo de unidades de conservação; e,

- Pesquisa sobre vulnerabilidade, impacto e adaptação de espécies e ecossistemas às mudanças climáticas.

O Programa de Incentivo à Conservação da Natureza, adota um calendário fixo para inscrição, análise e seleção de propostas de projetos com duas inscrições anuais, uma até março e outra até agosto, conforme os prazos a seguir:

VIA ON-LINE:

1º semestre - até 24 de março*

2º semestre - até 24 de agosto*

*Até a meia-noite

VIA CORREIO:

1º semestre - até 31 de março**

2º semestre - até 31 de agosto**

** Vale a data de postagem

Mais informações sobre o Programa de Incentivo à Conservação da Natureza da Fundação O Boticário de Proteção à Natureza:

http://internet.boticario.com.br/portal/site/fundacao/menuitem.896304fe48fb150de4e25afce2008a0c?epi_menuGrafico=Apoio_Projetos&epi_iten=Introdu%E7%E3o&item_Menu=1

Acesso para a reportagem ?Novo habitante no estuário sulista?, de Aldem Bourscheit publicada no ECO em 29/01/2009:

http://www.oeco.com.br/reportagens/37-reportagens/20881-novo-habitante-no-estuario-sulista

André Ferretti
Fundação O Boticário

Como dizia Karl Marx

quinta-feira, janeiro 29th, 2009

Roberta Simonetti, coordenadora do programa de Sustentabilidade Empresarial do GVces, nos envia a seguinte citação de Karl Marx, que soa quase como uma profecia:

“Proprietários do capital irão estimular a classe trabalhadora a comprar mais e mais mercadorias caras, moradias e tecnologia, levando-a a tomar mais e mais crédito de alto custo, até que suas dívidas se tornem impraticáveis. A dívida não paga levará à falência dos bancos, que terão de ser nacionalizados, e o Estado terá que tomar o caminho que eventualmente levará ao comunismo.” - Karl Marx, 1867

Não sabemos exatamente qual será o formato da nova situação à qual o panorama atual está nos levando. Seja qual for, que siga o caminho para um mundo mais sustentável, menos adepto aos excessos na economia e em relação ao meio ambiente.

Invisível

quinta-feira, janeiro 15th, 2009

Esse post é escrito em homenagem a Márcia Regina de Andrade, atropelada por um ônibus ontem, 14/1, em São Paulo enquanto pedalava sua bicileta na Avenida Paulista.

O acidente aconteceu após Márcia ser fechada pelo ônibus. Quem anda de bike pela cidade sabe que esse tipo de situação é muito comum. Márcia pedalava diariamente. Ou seja, já devia ter passado por situações como essa inúmeras vezes, mas nessa última não teve a mesma sorte das outras.

Seu apelo para que cidadãos, motoristas e o poder público assimilem a bicileta no espaço urbano - o Manifesto dos Invisíveis - foi mais uma vez ao chão. Enquanto isso, a cidade insiste em roncar seus motores em excesso, em negligenciar o convívio em harmonia, em manter costumes que acometem o planeta e as pessoas com quem convivemos, mesmo sem conhecer.

Fica um sentimento de profunda tristeza e de incoformismo. Mas também nosso compromisso renovado para que essa situação mude radicalmente.

Pela Márcia. Por Nós. Pelo Planeta

Ricardo Barretto, GVces

Opções incongruentes desabam sobre nós

quinta-feira, janeiro 15th, 2009

Um festival de notícias essa semana mostrou que os formuladores de políticas no Brasil ainda têm muito a avançar para a implementação da sustentabilidade no campo energético.

A primeira e mais triste delas diz respeito ao atropelamento da ciclista Márcia Regina de Andrade, tema do post acima. Não sem aviso prévio - Márcia era signatária do Manifesto dos Invisíveis, que cobra o reconhecimento e o respeito da cidade aos ciclistas, e condições apropriadas para o ir e vir de quem usa bicileta.

Vale analisar o incidente também do ponto de vista da política pública. Em tempos de mudanças climáticas, o pedido de Márcia e de milhares de ciclistas já devia ter sido atendido há algum tempo, já que se trata de um transporte que não utiliza combustível algum, não polui e ocupa pouco espaço, ajudando a desafogar os engarrafamentos venenosos de São Paulo. Mas inovações na cidade caminham a passos lentos. Estímulos a políticas atrasadas, como uso do automóvel individual, por exemplo, permanecem em destaque. É o caso do recente socorro dos governos estadual de São Paulo e federal à indústria automobilística, sem uma única condicionante de melhoria da eficiência energética e de emissões dos veículos. O que é pior, sem análise de investimento em áreas alternativas para geração de empregos em detrimento das possíveis demissões pelas montadoras.

A mesma falta de visão se revela no recém-anunciado Plano Decenal de Energia, que deu enfoque às termelétricas e pouco destacou a matriz eólica - limpa - como alternativa à geração de energia no Brasil. E finalmente destaca-se a defesa da fabricação da bomba atômica brasileira, pelo Ministro Mangabeira Unger. Mais um capítulo da opção do Brasil pela utilização do urânio. Outro recente é que às vésperas da finalização de Angra 3, Pernambuco, Bahia, Sergipe e Alagoas disputam a instalação de novas usinas em seus territórios.

Tudo isso enquanto o sol continua a brilhar, os ventos a soprar e a energia limpa que poderíamos tirar daí … é relegada a um papel coadjuvante. Uma ponta, pra ser mais exato.

Coréia do Sul e Brasil

sexta-feira, janeiro 9th, 2009

Desde os anos 90 tem sido recorrente ler na grande imprensa brasileira reportagens sobre o exemplo da Coréia do Sul para o Brasil, que investiu em educação e tecnologia e se transformou numa economia de destaque.

Agora, com a crise financeira, o país anunciou um plano para investir US$ 38 bilhões em projetos ambientais, como conservação de energia, redução de carbono e construção de depósitos de água. A mídia internacional o está chamando de “New Deal Verde”. Isso porque o país foi pego em cheio pela crise. Em dezembro de 2008, as exportações da quarta economia asiática cairam 17,4%, em relação ao mesmo período em 2007. Em novembro, já havia caído outros 18,3%.

Com o plano anunciado em 7/1, a Coréia do Sul pretende superar o baixo crescimento econômico e criar 1 milhão de empregos em quatro anos. Tudo a partir da estruturação de uma economia sustentável.

O exemplo ainda não chamou atenção da imprensa, mas talvez seja novamente uma demonstração de reposicionamento estratégico daquele país - iniciativa que cairia muito bem aqui no Brasil.

contradições, contradições

quarta-feira, janeiro 7th, 2009

Após causar certo frisson no ano passado, ao anunciar metas para redução de desmatamento dentro de seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, apresentado durante a Conferência de Poznan, o governo brasileiro inicia o ano mostrando que discurso e prática ainda estão separados quando o assunto é clima e meio ambiente.

Jornais como o Valor anunciaram esta semana o Plano Decenal de Energia do governo até 2017 que reforça o papel das usinas termelétricas e amplia a pegada carbônica do Brasil. As emissões de CO2 podem triplicar, caso o uso das térmicas se confirme. Isso significa que o esforço brasileiro para a redução de desmatamento - hoje a fonte de 75% das emissões brasileiras, aproximadamente - pode não ter o impacto positivo esperado.

Se as metas não passarem de intenções no papel, prática recorrente quando o assunto é meio ambiente, teremos um cenário bastante negativo de emissões de gases do efeito estufa no Brasil. Uma alternativa para o governo seria prestar mais atenção a outros estudos produzidos na própria esfera governamental, como o recém-lançado O aproveitamento da energia eólica, do INPE.