Archive for março, 2009

Bonn I - EUA de volta à cena

terça-feira, março 31st, 2009

Aqui em Bonn I, como está sendo chamado o primeiro encontro dos AWG LCA e KP (grupos de trabalho ad hoc sobre visão compartilhada de longo prazo: o acordo global pós 2012, e Protocolo de Kyoto:normas para implementação do dito-cujo), a grande novidade certamente é a volta dos EUA à cena. No plenário de abertura, no domingo, houve uma longa rodada de aplausos quando Todd Stern, o assessor especial do Obama para questões climáticas, foi anunciado. A fala dele foi animadora. Mencionou o grande desafio da mudança climática como uma oportunidade de transformação para uma economia de baixo carbono; disse que o caminho à frente deve ser guiado pela ciência e pelo pragmatismo, reconheceu a responsabilidade americana mas também ressaltou a das “major economies”, e disse que não adianta fazer um acordo internacional que não seja apoiado pelas pessoas que ele representa, referindo-se ao “mico” do Protocolo de Kyoto. Palmas, palmas e mais palmas.

Palavras de negociadores experientes: “lindo discurso, mas queremos compromissos de ação doméstica”. Outra que gostei: “vamos guardar nossos coelhinhos na cartola até ver qual o tamanho do coelho que vai sair da cartola do Tio Sam”. A ver e esperar, não de espera - de esperança, palavra de ordem quando o assunto é clima.

Fernanda Carvalho - TNC

A Hora do Planeta

segunda-feira, março 30th, 2009

O Observatório do Clima esteve atento a mais um passo importante que foi dado no último sábado (28) para a conscientização a respeito das mudanças climáticas. O evento simbólico a Hora do Planeta superou as expectativas e fez milhares de pessoas ao redor do mundo apagarem, durante uma hora, as luzes de suas casas. São Paulo foi uma das 3.900 cidades que participaram do movimento promovido pela WWF, parceira do OC.

Segundo informações da WWF, no Brasil, 107 cidades aderiram à Hora do Planeta, dentre elas 13 capitais: Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Manaus, Rio Branco, Belém, Belo Horizonte, Vitória, Campo Grande e Fortaleza. Mais de 1.600 empresas e organizações e 52.500 pessoas se cadastraram para fazerem parte do voto brasileiro. Além do Brasil, participaram outros 87 países. Juntos, os cidadãos do planeta demonstraram a sua preocupação com o aquecimento global e, sobretudo, com a preservação da vida na terra.

Confira os Vídeos:

Brasília

Curitiba

Rio Branco (AC)

Rio de Janeiro

Todos unidos a favor do Planeta

quarta-feira, março 25th, 2009

Governos, empresas e cidadãos unem-se no próximo dia 28 de março para A Hora do Planeta, iniciativa promovida pelo WWF-Brasil, integrante do Observatório do Clima. O ato simbólico, que se repete em diversas cidades do mundo, convida as pessoas a apagarem as luzes demonstrando a sua preocupação com o aquecimento global e as mudanças climáticas.

No Brasil, Belém, Curitiba, Florianópolis, Rio Branco, Rio de Janeiro e São Paulo, entre outras cidades já aderiram e vão apagar alguns de seus monumentos públicos. A capital paulista deixará às escuras a Ponte Estaiada, o Monumento às Bandeiras, o Viaduto do Chá, o Estádio do Pacaembu, o Teatro Municipal, o Mercado Municipal, o Obelisco e o Parque do Ibirapuera.

Em Curitiba, a Fundação O Boticário, que também faz parte do Observatório do Clima, é apoiadora da Hora do Planeta 2009 e responsável pela mobilização da sociedade. O Festival de Curitiba - o maior evento de teatro do País - aderiu à causa e apagará as luzes de oito espetáculos, simbolicamente, durante um minuto. A Sol Meliá Hotels & Resorts também aderiu ao movimento. A empresa garantiu que participará apagando as luzes da fachada e diminuindo a iluminação em seus 15 empreendimentos, localizados nas cidades de São Paulo, Angra dos Reis, Brasília, Campinas e Guarulhos.

PARTICIPE ? Qualquer pessoa pode unir-se à causa e mostrar que está atenta ao problema do aquecimento global. Para participar basta desligar durante uma hora as luzes da sua casa. Lembrando que a Hora do Planeta é dia 28 de março a partir das 20h30.

Saiba mais no Site: www.horadoplaneta.org.br

 

 

 

Outras responsabilidades diferenciadas

segunda-feira, março 23rd, 2009

Vale a pena ler o artigo escrito pela Daniela Chiaretti. É o artigo mais atual e real sobre a “rixa” da “graduação” que ganhou força esse ano nas negociações de clima. A idéia da “graduação” de responsabilidades foi reforçada por propostas do Japão e da Austrália, que conta com o apoio de bastidores da UE. O objetivo dessa proposta é diferenciar as responsabilidades de países em desenvolvimento, por exemplo, dar mais responsabilidade de redução de emissões ao Brasil, China e Índia do que Maldivas, Moçambique…

Bloco do Brasil corre risco na negociação de clima
Valor Econômico ? 09/03/2009

Guarany Osório, Greenpeace

Notícias de fora

sexta-feira, março 20th, 2009

Esta semana, duas notícias de sites estrangeiros chamaram atenção dos integrantes do Observatório do Clima. Andé Ferretti encaminhou o artigo intitulado (em tradução livre) “Crianças e seu legado carbônico: um caminho para se tornar um eco-herói?” http://blog.nature.org/2009/03/children-and-carbon-legacy-population-eco-hero-carbon-emissions/

Sobre o texto, André lança uma pergunta: “Será que algum dia as pessoas vão chegar ao ponto de vender créditos de carbono por não ter filhos, ou de comprar créditos para tê-los?” Abaixo, foto ilustrativa de estrada dinamarquesa publicada no site Cool Green Science.

Já Rachel Bidermann sugere o site do governo da Dinamarca, para quem quiser acompanhar os preparativos para a COP 15: http://en.cop15.dk/

Física e Químia das Mudanças Climáticas e Empreendedorismo

quinta-feira, março 5th, 2009

Gustavo Vieira, do Instituto Socioambiental, encaminhou um breve resumo do seminário promovido em 26 e 27 de fevereiro pela Fapesp, Embaixada Britânica e os institutos de pesquisa científica RSC (Royal Society of Chemistry) e IOP (Institute of Phisics). O encontro foi idealizado pelo climatologista Carlos Nobre (INPE) com a intenção de promover trocas de informação entre os pesquisadores brasileiros e britânicos para entender a física e a química das Mudanças Climáticas.

Para a programação completa com as apresentações acesse:
http://www.fapesp.br/materia/5023/pfpmcg/workshop-on-physics-and-chemistry-of-climate-change-and-entrepreneurship-26-e-27-2-2009.htm

“O que ficou muito claro em todas as apresentações é que a ferramenta de CCS (Carbon Capture and Storage) é a nova menina dos olhos dos ingleses enquanto brasileiros ainda insistem em REDD (Reducting Emission from Degradation and Deforestation) e Biocombustíveis. Uma discussão acalorada opôs Richard Pike e o prof José Goldemberg logo na primeira mesa da quinta. Pike mostrou que a energia solar seria 20 vezes mais produtiva do que os biocombustíveis, impossível para países com poucas terras agriculturáveis e muita tecnologia ($). Goldemberg defendeu a melhoria nas técnicas de produção brasileira de etanol de cana com a quebra da lignocelulose para aumentar também a conversão energética. “Esse é um argumento eurocêntrico”, disse o secretário de meio ambiente de SP.

Apesar da divisão das palestras entre os dois países serem equitativas, não ouve nenhuma menção mais profunda ao REDD ou o desmatamento na Amazônia. Biocombustíveis de segunda geração ocuparam bem mais espaço. Frear o desperdício de energia (40% só pelas janelas segundo alguns) no Reino Unido foi uma estratégia considerada muito relevante. A COPPE-RJ tem uma parceria com a Petrobrás para colocar no Ceará um piloto de usina geradora de energia por ondas do mar. Promete chegar a 500kW e afirma que o Brasil pode gerar 15% da sua energia desta maneira.

O INMETRO/FIOCRUZ apresentou suas experiências em novas tecnologias para hidrólise enzimática do bagaço de cana sem muitos progressos para a geração de energia de biodiesel de segunda geração. Parece que vamos ter que correr atrás dos desenvolvidos neste quesito também para manter o diferencial do nosso biocombustível.

Carlos Cerri, da USP, defendeu uma etiquetagem de pegada de carbono de cada produto para dar poder de escolha ao consumidor, mas não quis arriscar números antes do nosso novo inventário de emissões estar pronto. As universidades inglesas tem interesse em fazer pilotos de suas tecnologias solares em comunidades brasileiras tradicionalmente sustentáveis. Algum membro se anima a trabalhar em projetos neste foco?

Muitas idéias viajandonas fizeram o riso da platéia. Fertilização do oceano com ferro para aumentar a capacidade de fixar carbono dos corais, aerossóis de enxofre para aumentar a capacidade de reflexão solar da atmosfera, árvores sintéticas para sequestrar carbono e armazenar, plantas transgênicas com maior capacidade de reflexão, espelhos gigantes levados ao espaço por satélites, pintura de telhados de branco, todas estimuladas e financiadas pelo ex-presidente Bush. Temos que manter luta contra este tipo de maluquice que consome alguns milhões de dólares.

Alguns números interessantes que apareceram e que podem ser úteis:

- Hoje os países não anexo I já estão com 63% das emissões contra 47 % dos desenvolvidos
- O mundo precisa de 11 bilhões de toneladas de carbono por ano para manter o ritmo atual
- 174 w/m2 é o máximo de energia que pode ser gerada pelo sol na superfície da Terra
- 1/3 da energia do mundo é para aquecer ou resfriar
- O Brasil gasta US$ 2 bi em subsídio para levar diesel para a Região Norte do país
- A Inglaterra e a Alemanha têm o mesmo potencial de energia solar mas Alemanha tem 40% da sua matriz solar e a Inglaterra vai se esforçar para chegar em 2020 com 15% de renováveis
- O retorno do investimento em painéis solares domésticos está entre 3 e 4 anos (por que não temos linha de crédito para isso?)
- O Brasil tem o dobro do potencial alemão com metade da população de toda a Europa
- Fugindo do 174w/m2 da média mundial, Ian Forbes calcula entre 200 e 250 w/m2 de energia solar na superfície do nosso Brasil varonil
- Até 90% da energia européia pode ser solar

Parecem boas notícias?”