Adaptação? Ainda não temos catástrofes suficientes …
As manchetes das últimas semanas parecem reeditar os avisos lançados pela natureza no ano passado de que o Brasil precisa estar bem mais atento para medidas de adaptação às mudanças climáticas. Passando os olhos pelo noticiário de hoje, vários exemplos reforçam essa idéia:
Uma em cada 13 cidades nordestinas decreta emergência por conta da chuva - Folha Online
Pará pede R$ 85 mi à União; 800 mil foram atingidos pelas chuvas em dez Estados - UOL Notícias
Falta de chuvas reduz colheita - Correio Braziliense
Seca encolhe produção e retrai intenção de plantio de inverno - Gazeta Mercantil
Independente das causas que originaram as chuvas extremas no Norte e Nordeste e o período de seca no sul, estes são exemplos dos fenômenos climáticos que podem se tornar cada vez mais frequentes com a intensificação das mudanças climáticas. Os danos acontecem na saúde pública, na infra-estrutura das cidades, nos prejuízos econômicos da agricultura e nos cofres públicos. Só no caso do Pará, o governo estadual pede R$ 85 mi à União. No plano internacional, também não faltam evidências. No mês passado, a Oxfam divulgou estudo que estim em 375 mil pessoas afetadas anualmente por desastres naturais.
Ainda assim, medidas concretas para um programa de adaptação consistente não existem no Brasil. No mês de abril, Ivone Maria Valente, diretora de Minimização de Desastres da Secretaria Nacional de Defesa Civil, afirmou em entrevista à Agência Brasil que o país não está preparado para lidar com fenômenos extremos ocasionados pelo clima. O máximo que se ouviu falar em repercussão sobre o assunto é que a Câmara dos Deputados voltou a discutir o estabelcimento de um Fundo de Catástrofes, mas sem grandes avanços e sem que esse esteja relacionado a uma Política Nacional de Mudanças Climáticas.
Qual será o nível de alerta necessário para essa letargia ter um fim?