CiViA realiza capacitação em pegada hídrica para empresas

O estudo de pegada hídrica é um instrumento importante para as empresas compreenderem o impacto de um bem ou serviço sobre os recursos hídricos ao longo de seu ciclo de vida 21/06/2017
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Por Bruno Toledo (GVces)

O uso eficiente dos recursos hídricos vem se tornando uma questão importante para empresas em todo o mundo. Em situações de escassez, como a vivida pelo Sudeste brasileiro entre 2014 e 2015, muitas delas acabam sendo afetadas diretamente pela redução na disponibilidade de água, o que resulta na queda de sua produtividade e, consequentemente, de seus rendimentos. Episódios como este expõem a delicada relação entre os processos econômicos e o consumo de recursos hídricos em um contexto crescente de restrição da disponibilidade de água que atenda às necessidades humanas.

Este contexto crítico exige que as empresas tenham uma visão mais abrangente de seu impacto sobre o uso e o desperdício de recursos hídricos, além dos riscos para a empresa. Um instrumento importante para entender esses impactos é a pegada hídrica - um indicador que estima os impactos potenciais na disponibilidade atual e futura de água a partir da quantificação do volume de água consumido e da identificação dos locais onde este ocorre (regiões e bacias hidrográficas).

No Brasil, a Iniciativa Empresarial Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), organizada pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (GVces), vem sendo uma das principais promotoras deste instrumento, apoiando empresas no desenvolvimento de estudos de pegada hídrica com base na norma ISO 14046 e nos conceitos da Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) de produtos. Entre os dias 25 e 26 de abril, a CiViA promoveu uma capacitação em pegada hídrica para suas empresas membros, com o objetivo de oferecer conhecimento e ferramentas para o desenvolvimento de estudos deste indicador.

Além de abordar os principais métodos para o desenvolvimento da pegada hídrica – Water Footprint Network e ISO 14046 –, nesta capacitação as empresas puderam conhecer o recém publicado método AWaRe (Avaliable Water Remaining), que permite às empresas estimar os impactos sobre uma dada bacia hídrica em relação a quantidade (consumo) dos recursos hídricos. Ter informação abrangente sobre estes impactos é importante para entender e avaliar a magnitude e a significância deles para um produto, processo ou organização.

As empresas participantes também puderam saber mais sobre algumas experiências corporativas de utilização da pegada hídrica no Brasil desenvolvidas em conjunto com a CiViA, como o caso da Odebrecht Agroindustrial. No ano passado, a empresa realizou um piloto de pegada hídrica focado na gestão da Unidade Rio Claro, localizada na cidade goiana de Caçu e especializada na produção de etanol e biomassa. Os resultados do estudo apontaram que as atividades que mais consomem água são o processo produtivo da cana-de-açúcar e a produção de fertilizantes utilizados em seu cultivo.

Outro resultado importante associado ao estudo foi o desenvolvimento do Projeto Recuperação de Nascentes, uma parceria da Odebrecht Agroindustrial com a Universidade Federal de Goiás (UFG) voltada para capacitar agricultores assentados na recuperação de nascentes na região da cidade de Perolândia (GO).

"O trabalho com a CiViA e o GVces ajudou no diálogo da empresa com seus stakeholders, em especial os fornecedores envolvidos na pegada hídrica de nossos produtos", disse Carlos Sodré, analista de sustentabilidade da Odebrecht Agroindustrial. "Além disso, abriu oportunidades para a empresa, como o desenvolvimento e submissão de artigos acadêmicos sobre o nosso trabalho, o que gerou um reconhecimento positivo dentro da empresa".

Em 2017, as empresas membro da CiViA poderão desenvolver estudos de pegada hídrica para bens e serviços diversos oferecidos por elas. Desta forma, aplicarão na prática as ferramentas e conhecimentos assimilados neste treinamento.