Desafio do FIS 18

05/02/2019
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Rosângela Vig

O desafio do FIS 18 é:

Produzir e lançar uma campanha de comunicação que dê visibilidade ao turismo de base comunitária no Brasil para inspirar comportamentos e práticas dos atores envolvidos.

Este Projeto Referência

Envolve:

  • Investigar as contradições e potencialidades do consumo e do desenvolvimento sustentável.
  • Compreender elementos do turismo de base comunitária (TBC) sobre gestão, participação, protagonismo social, diversidade, empoderamento, afirmação cultural, empreendedorismo, sentido da comunidade e interação entre visitantes e visitados. Articular esses elementos com os temas da conservação ambiental, do desenvolvimento local e da inclusão social.
  • Garantir espaço de voz, escuta e representatividade aos comunitários e especialistas; identificar atores centrais da rede do TBC.
  • Desenvolver o pensamento crítico e mapear caminhos disruptivos sobre campanhas de marketing, publicidade e propaganda.

Demanda

  • Produzir uma campanha de comunicação que:
    • Divulgue os elementos centrais que compõem o modelo TBC.
    • Seja inclusiva, representativa e generalista, evitando favorecer a divulgação de experiências turísticas específicas de TBC.
    • Indique o Projeto Bagagem como fonte para mais informações sobre TBC no Brasil.
    • Dialogue com os pilares da Transdisciplinaridade.
  • Direcionar a campanha para 3 públicos distintos:
    • Público em geral - pelo menos 3 peças (filme publicitário, anúncio, jingle, spot, cartaz, outdoor, etc) em 3 canais de mídias diferentes (cinema, TV, revista, redes sociais, etc), tendo um conceito criativo e estético comum.
    • Policy makers – uma peça sobre como impulsionar o TBC no Brasil, em especial nas áreas de Unidades de Conservação.
    • Operadores de turismo – uma peça sobre quais oportunidades, obstáculos e salvaguardas sobre operar TBC no Brasil.
  • Fazer hackathon em sala para alimentar o portal do Projeto Bagagem.
  • Lançar a campanha em evento organizado pelo grupo.

Contexto

“... Como lugar de recolhimento o sítio guarda e mantém em si o recolhido, mas não como num encapsulamento fechado, e sim de modo a animar e transparecer o recolhido, para deixá-lo em seu modo próprio de ser.”
- Martin Heidegger

A Organização Mundial do Turismo (OMT) aponta o setor turístico como a 2ª maior atividade econômica do mundo em geração de divisas e empregos, atrás apenas da indústria do petróleo e derivados. De acordo com a OMT, em 2017, o turismo no mundo cresceu 7% em relação à 2016 e o Brasil registrou o maior número de estrangeiros na história: 6,5 milhões depessoasvisitaramopaís.

A partir de 1970, investimentos em infraestrutura e campanhas de marketing do regime militar incentivaram as classes médias urbanas brasileiras a um maior consumismo turístico. Mais recentemente, o Brasil apostou no turismo como um fator de equilíbrio das contas externas e de promoção do desenvolvimento regional. Hoje, o principal vetor da turistificação dos lugares é o mercado globalizado, ondeas estratégias de marketing fazem das imagens de lugares signos capazes de atrair um número crescente de consumidores de pacotes turísticos.

Se por um lado o turismo de massa gera renda para o país, o excesso de turistas e as grandes obras de infraestrutura trazem sérias consequências à economia local, às populações vulneráveis, à cultura, aos ecossistemas e à própria experiência do turista nolocal.

Ao lado deste turismo massificado, que ocupa um lugar importante na sociedade, está o turismo de base comunitária (TBC), uma possibilidade real de potencializar o desenvolvimento local, a inclusão e a conservação ambiental. O TBC é uma forma de organização empresarial sustentada na propriedade, no cooperativismo, na autogestão sustentável dos recursos patrimoniais comunitários, no protagonismo comunitário que valoriza uma vinculação situada nos ambientes naturais e na cultura de cada lugar.

Afinal, como despertar o interesse das pessoas para conhecer o TBC? Como ampliar o acesso ao TBC sem reproduzir o paradigma de consumo massificado e predatório?

O FIS 18 pretende contribuir com esta agenda, disseminando a essência que sustenta o turismo de base comunitária e os caminhos para acessá-lo.