Desafio FIS 11

05/08/2015
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Observadas pelas lentes da ‘teoria da inovação disruptiva’, as universidades estão numa encruzilhada crítica. Correm enorme risco de disrupção ao mesmo tempo em que estão bem posicionadas para um renascimento apoiado em inovação. (Christensen & Eyring: The innovative university)

As universidades foram criadas em torno de um modelo de educação que permaneceu praticamente inalterado por séculos. A escola com o papel de transferência de conteúdo parece estar na contramão de um futuro que se mostra cada vez mais carente de um modelo de educação que seja capaz de compreender a complexidade das relações que vivemos enquanto sociedade e promover transformações necessárias.

Estabelecer vínculos mais significativos entre quem ensina e quem aprende, abolindo a lógica professor-aprendiz, que seja capaz de atender às demandas de um sujeito em processo de (auto) formação e, ao mesmo tempo, demandas de um mercado de trabalho cada vez mais esvaziado de lideranças inovadoras, são desafios reais para as escolas de administração.

Mais ainda, segundo Nicolescu “o crescimento contemporâneo dos saberes não tem precedentes na história humana. Exploramos escalas outrora inimagináveis: do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, do infinitamente curto ao infinitamente longo. A soma dos conhecimentos sobre o Universo e os sistemas naturais, acumulados durante o século XX, ultrapassa em muito tudo aquilo que pôde ser conhecido durante todos os outros séculos reunidos. Como se explica que quanto mais sabemos do que somos feitos, menos compreendemos quem somos? Como se explica que a proliferação acelerada das disciplinas torne cada vez mais ilusória toda unidade do conhecimento? Como se explica que quanto mais conheçamos o universo exterior, mais o sentido de nossa vida e de nossa morte seja deixado de lado como insignificante e até absurdo? A atrofia do ser interior seria o preço a ser pago pelo conhecimento científico? A felicidade individual e social, que o cientificismo nos prometia, afasta-se indefinidamente como uma miragem”.

A educação do futuro exige um esforço transdisciplinar que seja capaz de rejuntar ciências e humanidades e romper com a oposição entre natureza e cultura. Além disso, o potencial disruptivo proporcionado pela aceleração da inovação tecnológica permite questionar como o tempo, espaço, especialização, credenciamento, papel de alunos e demais interessados podem mudar no contexto da educação superior.

Muitos componentes da experiência de ser aluno de graduação estão maduros para serem reinventados. Ao mesmo tempo, diversas instituições e educadores já estão examinando o que seria esse novo modelo de educação e se permitindo experimentar. Há iniciativas como a Stanford 2025, o U.LAb do MIT, a Minerva Schools, a Knowmads, etc.

A FGV, em 2009, aderiu ao PRME, Principles for Responsible Management Education, uma iniciativa da ONU que pretende que as escolas de negócio do mundo inteiro gradualmente integrem em seus currículos, pesquisas, aulas, metodologias e estratégias institucionais os temas da responsabilidade social corporativa e sustentabilidade. Foi nesse contexto que surgiu o FIS e, após 10 edições, a Escola sente que é o momento de darmos mais um passo no sentido de uma proposta educacional inovadora para a FGV.

O desafio do FIS 11 é:

Promover experiência(s) que mobilize(m), convide(m) e inspire(m) os envolvidos com educação superior a explorar a aplicação de novos modelos, princípios e perspectivas de formação para escolas de administração.

Este Projeto Referência:

Envolve

  • Refletir sobre o papel da Escola como espaço e processo para despertar e formar um sujeito criativo, ético, inovador, com clareza de propósito e capaz de aproveitar os desafios atuais como forças de evolução das diversas organizações e da sociedade;
  • Avaliar a necessidade de um novo tipo de formação de pessoas para a gestão, dado os dilemas e as oportunidades atuais de nossa sociedade em escala local, regional e global;
  • Sensibilizar aprendentes para serem protagonistas da própria educação, em processo contínuo;
  • Refletir sobre novas abordagens teóricas/metodológicas, tais como inter e transdiscplinaridade, teoria u, teoria integral, design thinking etc. como caminhos para compreender e agir em realidades complexas;
  • Experimentar como os conteúdos técnicos poderiam ser apresentados por meio de experiências práticas, projetos referência, que conectem os aprendentes à realidade, gerando também impacto social ao longo do processo formativo.

Demanda

  • Pensar sobre um modelo educacional que integre forma-conteúdo, professor-aluno, teoria-prática, razão-emoção-corpo;
  • Mapear experiências existentes em formas inovadoras de educação;
  • Refletir sobre o papel que o ambiente – físico, social e cultural - tem que possibilite as pessoas virem a ser a melhor versão de si mesmas;
  • Atrair, ouvir e envolver os principais stakeholders da FGV: gestores, professores, funcionários, alunos, famílias, entidades;
  • Desenhar protótipos, testar, testar e testar outra vez;
  • Captar recursos via crowdfunding ou outras fontes pertinentes, dentro e fora da escola;
  • Propor um plano de implementação faseado (curto, médio e longo prazos), que considere o tempo de maturação dos envolvidos no processo;
  • Ser curioso e incansável no mergulho em conteúdos, teste dos protótipos e montagem do produto final.