Desafio FIS 19

01/08/2019
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O Desafio do FIS 19 é:

Produzir uma exposição de arte que revele a urgência de caminhos para adaptação da agricultura brasileira às mudanças climáticas.

Este Projeto Referência

Envolve:

  • Pesquisar diversas linguagens artísticas, artistas e a arte que existe em cada um de nós.
  • Compreender conceitualmente o que são as mudanças climáticas e seus impactos, as abordagens de mitigação e adaptação, as noções de vulnerabilidade e resiliência (conceitos e vertentes).
  • Fazer um benchmarking nacional e internacional do que já existe de medidas adaptativas para agricultura.
  • Visitar a “estratégia” para agricultura no Plano Nacional de Adaptação.
  • Mapear os atores envolvidos na discussão de adaptação e agricultura e identificar os entraves de comunicação e barreiras para engajamento dos mesmos no tema.
  • Desenhar a(s) narrativa(s) conectando mudança do clima, adaptação e agricultura no Brasil.

Demanda:

  • Realizar uma exposição que dialogue com os pilares da Transdisciplinaridade.
  • Fazer a curadoria e a produção, montar a estratégia de circulação e divulgação da exposição.
  • Buscar parceiros que recebam a exposição.
  • Trazer a voz de todos os portes de agricultores (grandes, médios, pequenos, familiares ou não) e demais atores envolvidos no tema.
  • Incluir na exposição textos que tragam inspirações para políticas públicas a partir de uma abordagem bottom-up, considerando a realidade local e o que comunidades já vêm fazendo sobre isso. 
  • Lançar a exposição, que será a banca avaliadora de vocês, dia 19/11 (terça-feira) às 18h.
  • Pensar como a exposição pode deixar um legado sobre os resultados do Projeto.

Contexto

“Não há, na arte, nem passado nem futuro. A arte que não estiver no presente jamais será arte”
_Pablo Picasso
 
“Em cada bloco de mármore vejo uma estátua; vejo-a tão claramente como se estivesse na minha frente, moldada e perfeita na pose e no efeito. Tenho apenas de desbastar as paredes brutas que aprisionam a adorável aparição para revelá-la a outros olhos como os meus já a veem”
_Michelangelo
 

Há mais de dez mil anos a arte de cultivar a terra transformou os rumos dos homo sapiens, sendo ponto de partida para inúmeros paradoxos que regem nossas vidas até hoje. Com a ilusão do domínio da agricultura, nossa espécie cresce exponencialmente e se torna cada vez mais dependente da agricultura, que por sua vez depende dos ciclos naturais. Com avanços tecnológicos, a agricultura passou da mera produção de alimentos e criação de animais para ser base de diversas cadeias produtivas: bebidas, roupas, papel, cosméticos, energia, remédios... No Brasil só esse setor contribuiu com 23,5% do PIB nacional e com 41 mil novos postos de trabalho em 2018. 

No entanto, algumas técnicas agrícolas e a pressão pela expansão da atividade trazem inúmeras consequências ambientais, sociais e para ela mesma, num movimento recursivo. Por exemplo, a expansão do agronegócio por vezes é um vetor de desmatamento, perda de biodiversidade, degradação do solo, aumento do uso de agrotóxicos. Esses impactos contribuem para, entre outras externalidades negativas, as mudanças climáticas. Assim, como a agricultura é altamente influenciada por fatores climáticos (temperatura, chuva, umidade do solo e do ar, ventos e radiação solar) e provoca alterações climáticas com algumas práticas, temos aí um paradoxo. Como cerca de 80% da variabilidade da produtividade agrícola vem da variabilidade climática sazonal e interanual e as mudanças climáticas já são uma realidade, medidas adaptativas são urgentes e necessárias para que o setor não seja duramente impactado. 

Para ilustrar, apenas 5% das áreas agrícolas no Brasil são irrigadas e 95% dependem diretamente nas variações naturais da chuva. Assim, o aumento das temperaturas em função da mudança do clima resultará no aumento do consumo de água pelas culturas agrícolas e a redução da disponibilidade de água, colocando em risco a capacidade de produção. Consequentemente, as perdas econômicas estimadas para o setor podem chegar a R$7,4 bilhões em 2020, com impactos sociais como aumento de preços dos alimentos e da migração populacional de áreas de alto risco climático para outras aptas à agricultura. 

O FIS 19 pretende utilizar a arte para sensibilizar e fazer refletir sobre a urgência de um olhar para adaptação da agricultura às mudanças do clima.