"Desertos alimentares": Turma do FIS 14 apresenta seu Projeto Referência

Os alunos da 14ª edição da disciplina eletiva "Formação Integrada para Sustentabilidade" (FIS) foram desafiados a construir um mosaico digital e interativo que revele a situação dos desertos alimentares na cidade de São Paulo 20/03/2017
COMPARTILHE

Por Bruno Toledo (GVces)

O Brasil é um dos maiores produtores rurais do planeta, fornecendo alimentos para centenas de milhões de pessoas dentro e fora do país. No entanto, a despeito dessa condição, milhões de brasileiros estão se alimentando de maneira insuficiente ou inadequada, o que resulta em problemas graves de saúde.

Por exemplo, mesmo sendo o terceiro maior produtor mundial de frutas, menos de 25% da população brasileira ingere a quantidade diária de frutas e hortaliças recomendada (400g) pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A grande maioria dos brasileiros tem uma dieta pobre nesse tipo de alimento, o que se explica por fatores distintos. Por um lado, muitas pessoas ainda têm problemas para acessar alimentos frescos e acabam tendo como única opção a comida industrializada, relativamente mais barata. Por outro lado, outras pessoas acabam preferindo a comida industrializada por uma questão de praticidade e preço.

O custo dessa (falta de) opção é silencioso, mas inclemente: segundo a OMS, 1,7 milhão de pessoas morrem anualmente por males associados a uma dieta pobre em frutas, verduras e hortaliças - como diabetes, doenças cardiovasculares, obesidade e câncer.

Os nutricionistas costumam utilizar o termo "deserto alimentar" para denominar espaços (geralmente urbanos) onde não existe acesso a alimentos in natura. Nesses lugares, é praticamente impossível encontrar alimentos naturais que não tenham passado por algum tipo de processo industrial. Isso é bastante comum em localidades mais pobres, mas não se limita a critérios socioeconômicos: por praticidade, muitas pessoas que teriam condição de se alimentar com produtos in natura optam por produtos industrializados.

Os "desertos alimentares" dizem bastante sobre a forma como a sociedade contemporânea pensa e pratica sua alimentação. Inspirada por essa problemática, a disciplina eletiva "Formação Integrada para Sustentabilidade" (FIS) desafiou os alunos de sua 14ª edição a olhar para a complexidade em torno desses desertos, de maneira a construir uma abordagem lúdica que desperte o público em geral para essa questão.

Desafio do semestre

Os alunos do FIS 14 apresentaram seu Projeto Referência no dia 10 de março em evento especial na FGV EAESP, em São Paulo. Para uma sala cheia de alunos, professores, convidados e para o público em geral, a turma discutiu questões como a relação entre os alimentos e os grandes centros urbanos, como os "desertos alimentares" surgem nesse contexto, e quais seriam os caminhos para superar essa situação, ampliando o acesso a alimentos saudáveis e incentivando o seu consumo.

O desafio do Projeto Referência do FIS 14 é construir um mosaico digital e interativo que revele a situação dos desertos alimentares na cidade de São Paulo e entorno, provocando a reflexão sobre sua existência e como afetam indivíduos, relações, políticas públicas e negócios.

A proposta deste desafio é localizar a ocorrência de desertos alimentares na capital paulista, mapear políticas e práticas públicas e empresariais que buscam soluções efetivas para esse problema, e pesquisar como isso é encarado em outros países. O produto final do trabalho da turma deve instigar o público a interagir não apenas como esse mosaico digital, mas também entre eles, encorajando a colaboração e a empatia.

Identidade: Oásis

No kick off, a turma também apresentou sua identidade coletiva, o nome que representa o desafio e o perfil dos 16 alunos que compõem a 14ª turma do FIS: Oásis.

Para os alunos, por mais hostil que o deserto seja, ele é um ambiente vivo, com elementos capazes de suportar a vida, ainda que em circunstâncias difíceis. O oásis é um exemplo de como a vida pode brotar no meio do deserto, com fartura de água e alimento.

No deserto alimentar, por mais complexo que ele seja, os elementos para a superação dessa situação existem nesse espaço. Esses fatores, se bem tratados, assim como a água que corre embaixo do deserto, podem brotar e formar um oásis, com fartura e fertilidade. O que gera o problema também é aquilo que poder gerar a solução.

O símbolo da turma é composto por um mosaico em forma de flor nascida no meio do asfalto urbano.

Próximos passos

A apresentação do produto final do FIS 14 está marcada para o dia 30 de maio, quando os alunos apresentarão o resultado de seu trabalho para uma banca avaliadora, para as instituições parceiras do FIS neste semestre e para o público em geral.

Caso você tenha interesse em contatar a turma para falar sobre o desafio, o endereço de contato é fis14fgv@gmail.com

Acompanhe aqui as atividades do FIS 14.

(Fotos: Roberta Boccalini e Fernanda Carreira/GVces)