FGVces lança diretrizes para inclusão da agricultura familiar em encontro com organizações da cadeia de alimentos

14/03/2019
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O projeto Bota na Mesa, do FGVces, começou o ano com o lançamento das Diretrizes Públicas e Empresariais para a Inclusão da Agricultura Familiar na cadeia de Alimentos. O documento, construído a partir de pesquisas, reuniões com especialistas e de ampla articulação, reúne propostas de ações para governos e empresas em três temas prioritários: relações de consumo, infraestrutura e tecnologia e juventude na agricultura. Para conhecer as diretrizes, clique aqui. 

Reunindo os aprendizados da trajetória já percorrida e buscando ampliar o alcance e o potencial de transformação desta iniciativa, dois novos temas serão discutidos em 2019: mudança do clima e transição agroecológica. O objetivo será incorporar ao documento já lançado outras propostas de ações que sejam capazes de fortalecer os agricultores familiares em novos temas, em um contexto de muitas transformações. 

Paralelamente a esse trabalho, o Bota na Mesa conduzirá encontros com o setor empresarial e representantes de governo, a fim de disseminar as diretrizes elaboradas e articular esforços para a sua implementação. 


A agenda de trabalho continua com novos temas em 2019

Para dar início ao ciclo e engajar a rede presente, o Bota na Mesa convidou o professor e pesquisador do FGVagro Angelo Gurgel, que trouxe panorama da agenda de clima e agricultura no Brasil, e a agricultora e presidente de Cooperativa Valéria Maria Mascoratti, com um depoimento provocativo e inspirador sobre a realidade de produtores orgânicos na área rural do município de São Paulo, em Parelheiros.

Quando o assunto é a agenda climática, Angelo foi enfático ao dizer que a agropecuária é parte do problema, mas também da solução. “Precisamos todos enquanto sociedade aprender nesse novo contexto, a fim de gerar desenvolvimento com a floresta em pé.” Em sua análise, é crescente o número de consumidores atentos às questões ambientais, o que tem pressionado muitas empresas a repensar suas práticas e buscar alternativas para informar seus clientes sobre o potencial ambiental dos produtos. Quando questionado sobre o papel da academia nesse contexto, Angelo ressaltou: “Cabe a nós o papel de pressionar os governantes com informação e conhecimento científico, a fim de indicar o caminho e mudar a realidade.” 

Alinhadas ao desafio climático estão práticas produtivas de base agroecológica capazes de aumentar a resiliência dos ecossistemas. O depoimento de Valéria, agricultora e presidente da Cooperapas, traz fatos muito concretos que ilustram a necessidade de políticas públicas efetivas e de práticas empresariais atentas ao seu papel no apoio para essa transição. Em sua fala, fica clara a falta de recursos e de conhecimento das famílias para realizar os investimentos necessários e, principalmente, para geri-los, de forma a ocupar seu espaço nos mercados dispostos a remunerar por diferenciais ambientais. 

Engajamento de governos e empresas para a disseminação das diretrizes

O encontro também foi espaço para discutir as possibilidades de implementação das ações propostas pelo Bota na Mesa. O vice-coordenador do FGVces, Paulo Branco, mediou uma roda de conversa com Thiago Abud, engenheiro agrônomo e gerente de agronegócios da rede varejista Walmart, e Araci Kamiyama, também engenheira agrônoma, da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Thiago destaca a importância do setor de frutas, verduras e legumes para as lojas e reforça a leitura de que os desafios na gestão de fornecedores são de múltiplas naturezas: desde questões contratuais, que envolvem negociação e transparência, até questões que ultrapassam a relação comercial: “Já começamos a perder alguns produtores porque seus filhos não querem dar continuidade à produção.” Além disso, há uma responsabilidade crescente das redes varejistas em relação aos produtos que são colocados nas gôndolas e, em relação a esse aspecto, os pequenos produtores têm papel estratégico para a empresa: “Precisamos de apoio dos produtores para ter mais controle sobre as práticas produtivas. Independentemente de ser orgânico ou convencional, é fundamental a realização de um plano de manejo que contemple boas práticas agrícolas.” 

Já em relação aos governos, Araci percebe um descompasso entre o tempo dos órgãos públicos e a necessidade de urgência dos agricultores. Esse desafio aponta para a importância de repensar a concepção das políticas por meio de avaliações e indicadores, uma tarefa que raramente é executada pelos órgãos governamentais. Em relação às responsabilidades de governos na cadeia de alimentos, Araci acredita que o poder público deve “desenvolver circuitos curtos, canais alternativos e apoiar os produtores na concepção de produtos com garantia de origem e com diferenciais que agregam valor.”. 


O encontro reuniu cerca de 50 pessoas, entre agricultores e cooperativas, instituições de pesquisa, representantes de governos estaduais e municipais, redes varejistas, indústrias de alimentos e de insumos agrícolas, organizações da sociedade civil e startups do setor. Veja abaixo a lista completa de organizações presentes.

Quem estava presente?
  • Fundação Cargill
  • Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento - Prefeitura de São Paulo
  • Secretaria Estadual de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo 
  • Cooperapas - SP
  • Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)
  • CSA
  • Go! Horti
  • Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati-SP)
  • Cooperativa dos Agricultores Familiares 16 de Maio (Coopmaio)
  • Instituto Feira Livre
  • Syngenta
  • Associação Isabelense de Produtores Rurais (AIPRO)
  • Cooperativa dos Produtores Rurais de Jundiapeba e Região (Cooprojur)
  • Instituto Akatu
  • Festival de Gastronomia Orgânica da Terra ao Prato
  • Coordenadoria de Alimentação Escolar do Município de São Paulo - Prefeitura de São Paulo
  • Orgânicos do ABC
  • Unilever
  • Cooperativa da Agricultura Familiar de Sete Barras (Coopafasb)
  • St Marche
  • Instituto BioSistêmico
  • Instituto Kairós
  • Cooperativa Agrícola Sul Brasil de São Miguel Arcanjo (Sul Brasil)
  • Fruta Imperfeita
  • Instituto Grupo Pão de Açúcar
  • Walmart
  • Carrefour
  • Instituto Ibiá (Quitandoca)
  • WWF
  • Leão Alimentos e Bebidas
  • Associação de Desenvolvimento Comunitário do Rio Preto
  • Cooperativa Agropecuária de Produtos Sustentáveis do Guapiruvu (Cooperagua)
  • Instituto de Economia da Unicamp