FIS Belo Monte

07/03/2012
COMPARTILHE

Aqui você encontra relatos de Juliana Perlingieri, que foi aluna do FIS e estagiária do GVces, sobre as aulas e da viagem a campo da primeira edição do FIS, que teve como projeto-referência o aproveitamento hidrelétrico de Belo Monte (PA). Mas não é só isso. Encerrado em junho de 2010, a iniciativa dos fisers teve continuidade para além do curso. Confira os relatos de Leeward Wang, óutro ex-aluno do FIS e estagiário do GVces, sobre as discussões e ações tomadas desde então.

09/09: seu olhar melhora o meu

O grupo dos Fisers Belo Monte participaram de um diálogo com a rede SoL (Society for Organizational Learning), que reúne voluntários com foco no desenvolvimento interdependente das pessoas e suas organizações em busca de resultados significativos, por meio de co-criação e co-aprendizagem. Para a equipe e para os Fisers foi uma oporutnidade de "re-reconhecimento" de que somos pioneiros de uma experiência única de uma riqueza e preciosidade absurdas! O encontro durou mais de três horas e foi impressionante ver como as pessoas estavam atentas e interessadas em nosso processo e como foram tocadas por nossas falas.

Isso mostra a importância desses encontros e de outras formas de disseminação do FIS. Também são uma oportunidade de reflexão sobre o que foi o FIS para todos os envolvidos e o que pode representar esse curso para a sociedade.

O encontro rendeu boas conexões e abriu a possibilidade de construir novos espaços para compartilharmos esse conhecimento.


20/08: Divulgação e Bem Público

Sexta feira passada os Fisers Belo Monte fizeram uma apresentação para um grupo de executivos e consultores na Prada Assessoria. O propósito da apresentação era apresentar o FIS e o parecer que foi construído ao longo do semestre passado. A impressão dos convidados foi ótima e espera-se realizar mais encontros como esse para divulgação do FIS e do trabalho desenvolvido pelos estudantes.

Além disso, os Fisers Belo Monte ainda tÊm muito trabalho pela frente com relação as possibilidades de próximos passos e continuidade do trabalho que foi desenvolvido a fim de construir um bem público para a sociedade baseado na investigação que realizarm durante o curso.


08/06: Definindo princípios

Fazer um projeto dessa dimensão e defender um ponto de vista para o parecer exige a definição de premissas que nortearam o desenvolver do relatório. Porém, isso não é uma tarefa simples e foi isso que discutimos a aula toda... Quais os valores e princíoios que serão a base de nossas conclusões e relatos?

27/05: Projeto Juruty e Jirau

Hoje na aula tivemos uma exposição da metodologia utilizada para o desenvolvimento e concretização dos Projetos Juruty e Jirau, ambos resultado de um grande esforço e dedicação de toda a equipe do GVCes.

A professora Cecília tomou conta do palco da sala, disse o que precisava ser ouvido e contou o que precisava ser compartilhado. Respondeu dúvidas, deu sugestões, mas acima de tudo deu esperanças ao grupo que tem pela frente um imenso desafio...projeto Belo Monte.

Foi importante percebermos que não apenas a teoria e nem apenas o coração sozinhos trazem mudanças e resultados concretos. É a combinação dos dois que fazem de um trabalho bom ou excelente.

Consistência... Fundamentação... Contexto... Posicionamento... Prática... Decisão... Estamos no caminho certo: vamos começar o nosso!!

Daqui um mês estaremos com o comitê de crédito dos bancos Itaú Unibanco e Real Santander para apresentar o nosso parecer sobre investir ou não em Belo Monte. SE PREPAREM!!!


25/05: Conversa com Vitor Paranhos

O Sr. Vitor Paranhos é atual CEO da Energia Sustentável do Brasil - ESBR, formado em engenharia mecânica pela Universidade Católica de Petrópolis e em Economia, pelo Instituto Bennett de Ensino. Foi diretor do Nacional Bank ( 1989-1994), CEO na Nacional Energética ( 1994-1997), Diretor da Suez Energy ( 1996-2006), CEO da Tractebel Energia, do Consórcio Estreito e Atual CEO da Energia Sustentável do Brasil.

A conversa hoje em aula foi muito construtiva e polêmica. A visão do presidente do consórcio responsável pela usina de Jirau trouxe outra perspectiva ainda não tão clara para a classe. A primeira afirmação feita pelo Vitor foi: "Não existe pergunta que não pode ser respondida. Se houver, o problema não é de quem respondeu, mas de quem não está preparado para respondê-la."

O debate abordou muitos tópicos entre eles mitos e verdades de um empreendimento desse porte (Hidrelétrcia de Jirau). Surgiram dúvidas e questionamentos da possibilidade de um novo modelo de desenvolvimento, talvez com mais racionamento, talvez com outro tipo de energia. A dificuldade do ser humano de abandonar suas comodidades diárias e racionar energia, para Vitor Paranho, seria o grande entrave de não produzir energia agora, no curto prazo, com alta urgência: " Precisamos dar aos brasileiros aquilo que eles querem. Luz a todos é um direito e uma comodidade que acredito que pouquíssimos estão dispostos a abrir mão."

Você sabe qual a energia mais limpa do mundo? " A energia nuclear" - afirma Paranhos. Porém, os riscos de uma explosão e os perigos psicológicos de se construir uma usina nuclear são entraves para o investimentos em tais formas de energia. " A meu ver, portanto, dentre as opções que temos, a energia hidrelétrica é a mais limpa e mais eficaz para atender às atuais necessidades de nosso país."

No que diz respeito a investimento em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento), Vitor afirma que o investimento do governo brasileiro é muito fraco nesse sentido, mas talvez compense mais comprar o que os outros desenvolverem: economiza dinheiro e tempo. Essa questão gerou polêmica no debate, mas não era o foco da discussão.

Quanto a Belo Monte, o assunto mais esperado, Paranhos disse que a maior complicação dessa obra é a questão logística e a questão da instalação dos canais. A região de construção de Belo Monte tem fortes chuvas e pode dificultar a continuidade da instalação da usina. Pode ser que tenham que interromper o trabalho por 5 meses por motivos de força maior. No que diz respeito a complicação dos canais, Vitor explicou que será perfurada terra que não se sabe muito bem o que tem dentro e isso pode gerar implicações no processo logístico e operacional.

Para finalizar, quando questionado sobre os mitos sobre Belo Monte, Paranhos citou: índios, a seca da Volta Grande do Xingu, a Emissão de Gases tóxicos em quantidade superior a termelétricas e a não participação das audiências públicas para a liberação da Licença Prévia.

Quem criou o mito e qual o mito verdadeiro? O Ibama afirma no relatório que não houve tempo ábil para considerar as audiências públicas. Os estudos da Agência Nacional de Água (ANA) mostram que apenas em 10 dentre 35 anos, o Rio Xingu teve o fluxo de água necessário para produzir a energia que promete Belo Monte e ainda evitar a seca da Volta Grande do Xingu, também uma promessa do EIA-RIMA.

Bom... mitos ou não mitos o importante é buscar os fatos. Sintam-se instigados a ir atrás daquilo que ficou questionável.

18/05: Conversa com Sr. Luiz Majolo

A conversa hoje com o Sr. Luiz Majolo, foi inspiradora. Para muitos, ver um ex-aluno da Fundação Getulio Vargas, com experiência de mais de 35 anos em banco e análise de crédito e risco, falar sobre sustentabilidade e avaliação sócio-ambiental dos comitês despertou a esperança de que há como buscar a sustentabilidade em seus empreendimentos.

Majolo foi executivo sênior em grandes bancos no Brasil e no exterior, tais como Barclays, ING, Santander e ABN. Neste último, foi Vice-presidente executivo do Banco Real, e CRO (Chief Risk Officer) e COO (Chief Operating Officer) do ABN na América Latina compreendendo a Argentina, Chile, Colombia, Venezuela e México.

Na conversa discutimos o que é levado em consideração ao se aprovar ou não um financiamento pelo comitê de crédito de um banco, o que é ou não é ético e como isso deve ser praticado na empresa.

Primeiramente explicou o que eram os 5 Cs considerados como base para uma decisão de concessão de crédito: Caráter; Capacidade; Condições; Capital e Colátero. Uma decisão do tamanho de Belo Monte não é tão simples. Em um mercado em crescimento, com instituições financeiras cheias de crédito para dar, a pressão por participar do maior empreendimento do Brasil é muito grande. O que precisa ser considerado são os riscos que podem ocorrer e se é possível ou não mitigá-los.

Sugestões deixadas pelo Sr. Majolo: estudem muito profundamente o tema e tenham uma solução para cada possível problema que possa surgir no desenrolar do empreendimento Belo Monte. Pensar a longo prazo é essencial!

14/05: Conversa com Otto Scharmer

Otto Scharmer, o criador da Teoria U, fez uma visita aos alunos da Disciplina FIS nessa última sexta-feira, dia 14 de maio. O bate-papo foi intenso, revelador e para alguns, até lágrimas escorreram.

Os alunos contaram um pouco das experiências que tiveram na disciplina FIS, na viagem de campo que realizaram para a Amazônia e sobre a utilização da Teoria U para a realização do trabalho como um todo.

A viagem, mais especificamente, foi marcante para a equipe toda, já que tivemos a oportunidade de conversar com mais de 25 stakeholders envolvidos direta ou indiretamente no processo de construção da Usina de Belo Monte, que deverá ser a terceira maior hidrelétrica do mundo, com uma presumida geração de 11.233 MW.

Observou-se, entretanto, contradições e falta de clareza em todo o processo de licenciamento e aprovação do projeto. Por exemplo, o EIA-RIMA foi aprovado sem serem consideradas as audiências públicas. Outra coisa, será que alegar que a construção da Usina Belo Monte é questão de segurança nacional, é motivo suficiente em termos morais e éticos para revogar uma liminar que afirma descumprimento da lei? Enfim, paradoxos e inquietações deste tipo estão intrigando a equipe do FIS na FGV.

“Para mim, Belo Monte não é energia, é outra coisa. BM não é um meio (para energia), é um fim...”, disse um dos alunos da disciplina. Outra aluna demonstrou seu novo envolvimento com a causa dizendo “antes eu sabia que eu era parte de um todo, mas agora eu SINTO que sou parte desse todo.” Alguns choram, outros filosofam, mas está evidente que todos querem expressar esse turbilhão de sensações que vieram a tona ao longo desse processo que se baseia na teoria U.

Outra estudante disse que chorou ao conversar com os índios, não por sentir pena deles, mas por sentir pena de si mesma. “O cacique da tribo Araras, apenas com a quarta série completa, sabia muito bem o propósito dele aqui no mundo e o quanto ele estava disposto a proteger a sua família e a sua história. Eu, ingênua, achei que por ter tido mais educação escolar que ele, saberia mais sobre tudo. Porém, quem não sabia nada naquele momento era eu!”.
O comentário de Otto para essa declaração foi: “o que sentiu naquele momento foi a HUMILDADE, a pré-condição para se ser eficaz.”

Complementando o desabafo dos estudantes, Otto Scharmer diz que o mais importante do processo todo da teoria U é o “SENTIR”. Afirma que a inquietação é um DOM, uma vez que nos tira da “bolha” do que é comum e cotidiano e nos mostra as coisas como são, sem “lentes” e sem pressupostos. “Espero que as escolas sejam assim em 50.000 anos, focadas em mostrar a realidade como ela é, para que possamos aperfeiçoar aquilo que está ultrapassado e alterar aquilo que já se tornou inerte.”

• Reflexão...

A reflexão que Otto deixou o grupo responder após dissertar um pouco sobre essa questão do SENTIR e do VER foi: “O que farei para o resto da vida? O que farei com a minha vida? Qual o meu propósito? Façam o teste, vocês ainda são as mesmas pessoas? O que veio para você após a imersão? E para o projeto?”

“Na teoria U não se tem que tomar decisões, porque no fim a “solução” simplesmente emerge, se torna óbvia”, disse Otto.

“Invariavelmente - afirmou Otto - vocês são um grupo privilegiado e as oportunidades que tiveram de falar com essa quantidade de pessoas diferentes, faz com que vocês tenham mais credibilidade que qualquer outro Stakeholder. Vocês possuem um poder nas mãos que mais ninguém tem. Vocês podem usar isso para fazer uma intervenção”.

A pergunta é: o que vocês farão com isso que tem nas mãos? Com todo esse conhecimento do assunto Belo Monte? Com toda essa credibilidade que adquirirão, por conhecer todos os lados da moeda? Não se esqueçam que o amor sozinho é apenas sentimental e anêmico, mas amor com poder faz acontecer.”

“Encontrem uma maneira de tocar as pessoas como vocês foram tocadas!”

• O sonho de Otto...

Otto contou que seu sonho é conseguir reunir líderes de grandes indústrias, companhias, bancos, governos, universidades entre outras instituições, para realizar uma viagem coletiva. Tal experiência proporcionaria um ambiente diversificado e repleto de grandes “cabeças” do mundo atual e quem sabe conseguiríamos reinventar a realidade? Esse seria, segundo Otto, o começo, o caminho para se recriar a forma de educar.


13/05: Um mundo feito de argila…

Na última aula do FIS, dia 13/05, a tarefa dada foi: construir, em argila, sua perspectiva do que quer para o futuro e o legado que visa deixar para trás. O legado tinha que ter ser um “o que” e ter um “como”, ou seja, o que queríamos trazer ao mundo e como isso seria feito.

Cada um iniciou sua imersão pessoal construindo o que sentia no momento, sem a intercomunicação com o colega. Assim que íamos terminando, as informações eram compartilhadas e as obras iam se interconectando.

Aos poucos, criamos um mundo de argila! Esse mundo era composto por cálices de base rosa e fundo roxo, bastões da fala, árvores do futuro, estruturas de redes conectadas, bonecos com cabeças mutantes, balanças para manter o equilíbrio das coisas, mapas, rios, uma bota, um nariz de palhaço, uma rosquinha tipo donut, símbolos que representavam o racional e o emocional e muito mais...cada qual com seu significado.

Uma experiência incrível! Nossos dedos ficaram ásperos e da cor da terra marrom, nossas roupas e sapatos sujos, muitas risadas e momentos de reflexão. Impressionante o resultado de uma atividade tão simples... “Fico com a pureza da resposta das crianças, é a vida, é bonita e é bonita...!”

Veja alguns momentos dessa experiência.

O início...

Simples blocos de argila.

O processo...

Como ficou!!! :)

Abril/2010 - Viagem de Imersão

Partimos quinta-feira, dia 15 de abril, do aeroporto de Congonhas para Belém e de lá fizemos conexão para Altamira. Voamos para lá de Teco-Teco, avião bimotor com hélices. Que emoção!

Veja algumas fotos desse momento inicial:

Afugentando as tensões em pleno aeroporto de Belém... muito ainda estava por vir!

Revisando o planejamento...

Em Altamira, Pará

Ficamos em Altamira dos dias 16 a 19 de abril.

Nesse período tivemos a oportunidade de conversar com o procurador do Ministério Público, Dr. Claúdio, com a Eletronorte, a Elabore, feirantes, representantes dos Movimentos Sociais, Índios da tribo Araras e representantes da ACIAPA (Associação Comercial Industrial Agro Pastoril de Altamira). Conversamos também com a prefeita da cidade de Altamira, com especialistas da área de Ecologia, Engenharia e Biodiversidade, com a rádio local e muitos outros.

Visita à Eletronorte: conhecendo o projeto-referência Belo Monte.

Dessa forma, diferentemente da maioria das partes envolvidas no projeto Belo Monte, nós, alunos da disciplina FIS da FGV-SP, tivemos a oportunidade de ouvir muitas opiniões, muitos anseios, muitos questionamentos, muitas expectativas e pontos de vista completamente diferentes uns dos outros quanto ao tema BELO MONTE.

Por exemplo... a liminar imposta pelo Ministério Público alegando que as audiências públicas do povo exigidas por lei não foram ouvidas para a aprovação da Licença Prévia para se fazer o leilão. A AGU (Advocacia Geral da União) alega que dada a importância de Belo Monte para o país, pode-se vetar a liminar baseada no Princípio de Segurança Pública. Há também algumas controvérsias sobre a preservação da biodiversidade da região afetada e também sobre a viabilidade econômica desse projeto. Como sabemos o que é e o que não é? Essa tarefa com certeza não é fácil...

Belo Monte... um fim ou um meio? Por que tanto atropelo para a construção da hidrelétrica? Para onde e para quem vai a energia? Talvez com mais calma a sociedade consiga encontrar uma "terceira opção" que não seja nem o sim nem o não para tal empreendimento. Você que ainda não buscou se informar mais sobre esse tema, lembre-se de não aceitar apenas uma posição. Leia diferentes jornais, fale com diferentes pessoas! Claro, nada se iguala a ir até lá e pisar onde talvez um dia não exista mais rio, mas todo esforço é válido.

Seguem alguns momentos da equipe em Altamira:

Equipe na beira do Rio Xingu em Altamira.

As viagens de minibus que possibilitaram sobreviver ao calor do Pará!

Conhecendo os moradores das Palafitas

Segunda dados da Elabore, aproximadamente 300 famílias serão realocadas de suas casas com a construção de Belo Monte. Os moradores das palafitas, situados na encosta do rio, com casas feitas de madeira, certamente terão suas moradias alagadas com a hidrelétrica.

A equipe FIS teve a oportunidade de visitar essas pessoas e conversar sobre o tema Belo Monte e seus impactos pessoais para cada um. Uma experiência incrível, uma realidade por muitos ainda não conhecida: famílias vivendo a beira do rio, sem saneamento básica nem eletricidade, com pouco para comer e pouco para vestir, meio a mercê da vida esperando ver o que vai acontecer.

Viagem à tribo Araras

A equipe arrumou as pequenas malas, passou protetor solar e repelente, colocou blusas de manga longa, tudo isso para encarar a viagem de voadeira pelo Rio Xingu. O sol estava bem forte, o vento constante, mas a paisagem...inenarrável!

Ex-cacique Zé Carlos: "Há sempre algo maior para ser considerado em suas decisões: o coração..."