FIS10: Projeto Referência

10/03/2015
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A cidade é o ponto alto da realização humana, objetivando o mais sofisticado conhecimento numa paisagem física de extraordinária complexidade, poder e esplendor ao mesmo tempo que traz consigo forças sociais capazes das mais extraordinárias inovações políticas e sócio-técnicas. É um lugar de mistério, local do inesperado, pleno de agitações e fermentos, de múltiplas liberdades, oportunidades e alienações; de paixões e repressões; de cosmopolitismo e extremo paroquialismo; de violência, inovação e reação.”

David Harvey

O desafio do FIS 10 é:

Criar - ou potencializar - uma intervenção em espaço público na cidade de São Paulo, que reflita o conceito de “cidades para pessoas”.

Em adição, o alunos devem produzir uma publicação, que descreva a intervenção, seu método, atores envolvidos, resultados potenciais ou alcançados, lições apreendidas, além de referencias bibliográficas e de experiências nacionais e internacionais, que sirva de legado para aqueles que desejam se engajar, na prática ou academicamente, na ocupação de espaços públicos em ambientes urbanos.

Este Projeto Referência envolve:

  • Investigar o tema de cidades para pessoas, seus conceitos, casos de sucesso, desafios e oportunidades;
  • Mapear políticas e práticas, públicas e privadas, que possam ser referências inspiradoras;
  • Reconhecer as questões ambientais, sociais, culturais e econômicas implícitas nesta realidade.

O projeto também demanda:

  • Adentrar no mundo das cidades para pessoas descobrindo os meandros da produção de um espaço urbano, criando uma experiência que seja ao mesmo tempo lúdica e sensibilizadora;
  • Identificar atores e processos que deverão estar refletidos na intervenção;
  • Abordar o tema em sua multidimensionalidade;
  • Criar e desenvolver a ideia central e o foco, sendo curioso e incansável no mergulho em conteúdos, teste dos protótipos e montagem do produto final;
  • Definir protótipos, testar, testar e testar outra vez a forma e conteúdo da intervenção;
  • Captar recursos via crowdfunding ou outras fontes pertinentes para viabilizar a intervenção idealizada;
  • Realizar – ou potencializar - a intervenção urbana convidando atores envolvidos ao longo da jornada e outras partes interessadas a vivenciar a experiência prototipada pelo grupo.
 
Contexto

Segundo dados do Centro de Informações das Nações Unidas, 54 % da população mundial vive atualmente em áreas urbanas, número que deve aumentar para 66% até 2050. De acordo com o Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat), a população urbana se multiplicou em cinco vezes entre 1950 e 2011 no mundo todo. Somente entre 1995 e 2005, a população das cidades nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento cresceu, em média, em 1.2 milhões por semana, cerca de 165 mil habitantes por dia. No ano de 2007, o número de pessoas vivendo em cidades ultrapassou o número daquelas baseadas no campo.

John Wilmoth, diretor da Divisão da População das Nações Unidas, do Departamento dos Assuntos Econômicos e Sociais, afirma: “Gerir áreas urbanas tem se tornado um dos desafios mais importantes do Século XXI (...)".

Diante de tal cenário há de se pensar em uma mudança de paradigma que possa promover as cidades como ambientes criativos, entendidos como espaços usuais que promovem a interação de pessoas, talentos, criatividade, cultura e provoquem sinergias com a capacidade de criar valor econômico e regeneração urbana. Este processo vai exigir forte capacidade organizacional e de liderança para que a renovação urbana seja relevante, sustentável e capaz de gerar novas dinâmicas culturais.

Para que se concretize o processo de mudança torna-se urgente perceber quais são os espaços públicos existentes nas cidades, bem como entender o que torna os espaços públicos usuais e o que atrai as pessoas para os espaços públicos de sucesso.

A equipe do FIS deseja que os alunos mergulhem no tema, tendo contato com suas várias dimensões, para poderem fazer os recortes que mais lhe tocarem, refletindo essas escolhas numa intervenção urbana que traga para o público uma experiência ao mesmo tempo real e transformadora.