GVces reúne empresas para capacitação no Sistema de Comércio de Emissões

A simulação de mercado de carbono organizada pelo GVces, pioneira na América do Sul nesse tema, entra em seu 4º ciclo de atividade com um grupo de participantes mais amplo e novidades em sua operação 31/03/2017
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Por Bruno Toledo (GVces)

Iniciando seu 4º ciclo de atividades, o Sistema de Comércio de Emissões (SCE) organizou um treinamento voltado para profissionais de novas empresas participantes da simulação no dia 14 de março na FGV EAESP. Além de apresentar as regras e os parâmetros de operação do SCE, o treinamento alinhou os principais conceitos sobre precificação de carbono e sistemas de comércio de emissões e destacou as novidades que serão implementadas ao longo de 2017 pela equipe do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (GVces), responsável pela condução da simulação.

Iniciado em 2014, o SCE é uma simulação que tem por objetivo criar e disseminar conhecimento entre as empresas brasileiras a respeito do funcionamento de um sistema de comércio de emissões, seus desdobramentos aos negócios e seu potencial para cumprir eventuais metas de redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) de uma organização de forma custo-efetiva.

“Quando iniciamos o trabalho com o SCE, o tema do comércio de emissões era relevante no contexto internacional, mas ainda não tinha espaço no Brasil, e as empresas brasileiras não tinham conhecimento sobre ele”, explica Mariana Nicolletti, gestora do SCE. “A simulação permite que as empresas tenham uma experiência prática para que gestores e equipes aprendam como seria um sistema de comércio de emissões no Brasil e quais seriam os seus desdobramentos nos negócios”.

Organizado pelo GVces com apoio operacional da Bolsa de Valores Ambientais do Rio de Janeiro (BVRio), o SCE é uma iniciativa pioneira na América do Sul que permite às empresas ter contato com uma ferramenta de precificação de carbono que deve proliferar nos próximos anos ao redor do mundo. Dentre as quase 200 contribuições nacionais apresentadas pelos países para fundamentar o Acordo de Paris em 2015, mais da metade delas indica o uso de instrumentos econômicos para facilitar o atingimento de suas metas de redução. O Brasil não está nessa lista, mas o governo brasileiro não descarta a possibilidade de implementar essa solução no médio prazo. Por isso, muitas empresas já buscam adquirir conhecimento e experiência no tema para estarem preparadas para futuras regulações públicas e um possível mercado de carbono no país.

Novidades em 2017 - Uma novidade importante para o Ciclo 2017 do SCE é a criação de grupos de trabalho setoriais, com o objetivo de debater as especificações e os desafios de cada setor econômico no contexto de um sistema de comércio de emissões, e potencialidades a serem exploradas.

A equipe do GVces apresentará informações técnicas em cada grupo, que servirão como base para o debate e a troca de experiências entre os participantes. Saiba mais os GTs Setoriais e a pauta inicial de cada um deles abaixo.

  • GT Setor Florestal - Os desafios e potenciais de provisão de offsets
  • GT Setor Agropecuário - Precificação de carbono e cadeia de fornecedores (regulação, desafios de MRV, etc.)
  • GT Setor Energia - Regulação e estrutura do setor
  • GT Setor Indústria - Competitividade, indicadores econômicos (para cálculo de cap relativo) e de intensidade carbônica
  • GT Setor Financeiro - Atuação de bancos e investidores no contexto da precificação de carbono

Outro esforço importante do SCE é aproximar a iniciativa e seus participantes da administração pública e do poder legislativo nas esferas estadual e federal. O propósito desta aproximação é contribuir para a disseminação do conhecimento gerado por meio da Simulação acerca das potencialidades e desafios relacionados à estruturação e à operação de um sistema de comércio de emissões no Brasil.

Saiba mais sobre o SCE e acompanhe as atividades desta iniciativa aqui.

Foto: Roberta Boccalini/GVces