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Gás Natural (MT) Bacia do Parecis é tida como a nova fronteira

13/12/2009 - Diário de Cuiabá - Da Editoria

A Bacia do Parecis ocupa uma área total de 14.025,97 quilômetros quadrados.  Os primeiros estudos geoquímicos realizados pela ANP na região indicaram a presença de moléculas de hidrocarbonetos, que têm origem em rocha geradora de petróleo.

Em novembro, por solicitação da ANP e, em cumprimento ao disposto na Resolução CNPE 008/2003, que determina a realização de análise prévia quanto à sensibilidade ambiental da área, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) divulgou parecer técnico realizado nos seis blocos localizados no Estado.  A análise preliminar dos técnicos teve como foco as áreas ambientalmente protegidas, bem como ao futuro licenciamento das atividades de exploração e produção.  O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), também realizou análises prévias dos blocos.

Esses estudos tiveram por objetivo excluir áreas em razão de restrições ambientais como a sobreposição com unidades de conservação ou outras áreas sensíveis onde não é possível ou recomendável a ocorrência de atividades exploratórias de petróleo e gás natural.

No parecer produzido pelos técnicos da Sema não houve constatação de nenhuma situação que impedisse as atividades exploratórias.  Entretanto, o órgão ambiental fez algumas recomendações como o respeito às áreas de preservação permanente protegidas por Lei (veredas, cursos d’água, topo de morro, áreas com declive superior a 45º, bordas de chapada) e, a obediência à legislação em vigor que determina para o cerrado, o percentual de reserva legal a ser mantido de 35%, e, na floresta, de 80%, quando da abertura das áreas de estudos, ainda que sejam apenas trilhas.

PARTICIPAÇÃO - A indústria metalúrgica mato-grossense Bimetal, especializada na produção de torres telefônicas, foi habilitada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) para a 10ª rodada de licitações, ocorrida em dezembro de 2008.  O certame abriu disputa à concessão para exploração de reservas de petróleo e gás natural em várias regiões brasileiras, inclusive em Mato Grosso.

O objetivo da participação da mato-grossense era abrir o leque de participações da indústria e diversificar a produção: telefonia, energia, agronegócio e também o petróleo.

No certame, a Petrobras arrematou todos os seis blocos localizados na Bacia do Parecis, em Mato Grosso.  O leilão concedeu outorgas de áreas para estudo de prospecção e viabilidade de exploração de gás e petróleo.  No total foram ofertados 130 blocos dos quais 54 foram arrematados.  Os blocos estão localizados em sete setores de bacias sedimentares – três em bacias maduras: Sergipe-Alagoas, Recôncavo e Potiguar e as outras quatro bacias são de novas fronteiras, Amazonas, Paraná, São Francisco e a Bacia do Parecis. 

(MP com assessoria)

 

Abismo ou estratégia?

Entre a realidade de uma reserva de hidrocarbonetos à exploração do potencial há muito o que se avançar

Petrobras arrematou os seis blocos da Bacia do Parecis, em Mato Grosso, que foram a leilão há um ano


Marianna Peres Da Editoria

Apesar das afirmações do governo estadual de que Mato Grosso detém as maiores reservas de gás natural do país – e também do otimismo -, o potencial ainda não foi reconhecido pela Petrobras, pelo menos de forma oficial.  O Estado reconhecido pelo potencial agropecuário almeja mais este título, mesmo porque o gás natural é matéria-prima para produção de fertilizantes e a redução deste custo de produção é mola propulsora de vários representantes ruralistas.

Há um ano a estatal brasileira arrematou sozinha todos os seis blocos ofertados na Bacia do Parecis, localizada em Mato Grosso.  Em plena crise do gás no Estado, as reservas que podem ser muito similares às bolivianas são um sonho ainda sem data para virar realidade.

Quando os lotes foram arrematados, num certame que contou com a participação da mato-grossense Bimetal, em dezembro do ano passado, o governador Blairo Maggi na época esboçou a preocupação de a Petrobras “sentar em cima das outorgas” e não dar a celeridade de que o Estado necessita nas prospecções das áreas.  O superintendente de Energia da Secretaria de Estado de Indústria, Comércio, Minas e Energia, José do Carmo Ferraz Filho, aponta que a outorga – concessão de exploração – é regida por regulamentos e prazos que devem ser obedecidos, “até mesmo pela Estatal”.  Ele explica que já no próximo ano a Petrobras tem de iniciar as prospecções, data ainda sem confirmação pela assessoria da Petrobras.  A estimativa do Estado é de que sejam investidos na Bacia do Parecis mais de R$ 30 milhões.

Junto à confirmação deste potencial Ferraz frisa que investimentos gigantescos serão capitaneados para o Estado e que o governo terá mais argumentos na atração de empresas.  “O gás é uma matriz barata.  Este combustível é estratégico para prover energia de Mato Grosso para estados como Acre, Rondônia e Amazonas, que utilizam energia térmica da queima de óleo diesel”.

Desde o final da década de 90 a reserva mato-grossense é conhecida no país, e durante a gestão do então presidente da Estatal, Joel Rennó, foi classificada como uma das maiores do Brasil.

Estudos da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam a existência de um sistema petrolífero ativo para gás natural e petróleo em rochas com mais de 600 milhões de anos em Mato Grosso.  As cidades que devem ser o maior foco da atividade de exploração são Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Nova Ubiratã, Paranatinga, Sorriso e Santa Rita do Trivelato.

“Pela proximidade entre Mato Grosso e Bolívia, e considerando a formação geológica da região, é possível que tenhamos o mesmo bolsão de reservas da Bolívia”, aponta Ferraz.  Segundo o mercado do gás natural, a Bolívia tem os campos de produção mais atrativos da América Latina.

O potencial já relatado em parecer técnico emitido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), como lembra Ferraz, mostra que as reservas de hidrocarbonetos não estão em áreas indígenas, o que favorece e agiliza a possível exploração/perfuração de poços.  “Isso é mais um ponto em nosso favor”.

PETROBRAS – De acordo com a assessoria da Estatal, as áreas se encontram em fase de planejamento de atividades futuras, “ou seja, levantamento de dados sísmicos”.  Ainda como informa, apenas após essa etapa, seguida de processamentos especiais e interpretações de dados, será possível avaliar se há potencial e se haverá a possibilidade de perfurações de poços.

Como aponta Ferraz, a Estatal está numa maratona de investimentos milionários pelo País, como o pré-sal.  “Mesmo se confirmando o potencial e a viabilidade da exploração do gás e petróleo no Estado, existem, para além disso, variantes que fazem com que a decisão da ação esbarre nas diretrizes de um planejamento estratégico da própria Petrobras”.

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