Jornada Empresarial Terceira Margem 2018

05/09/2018
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Entre os dias 22 e 24 de agosto, representantes de 22 empresas integrantes das Iniciativas Empresariais do FGVces participaram da 5ª edição da Jornada Empresarial Terceira Margem, uma experiência em campo de três dias que tem como objetivo oferecer aos participantes a oportunidade de vivenciar, in loco, dilemas e soluções da sustentabilidade a partir do diálogo e da troca de experiências com atores diversos. 

Alinhada à agenda integrada das Iniciativas Empresariais em 2018, durante a 5ª edição da jornada empresarial os participantes tiveram a oportunidade de interagir com atores que operam no sistema financeiro nacional, a fim de compreender o papel das finanças para a incorporação da sustentabilidade nas tomadas de decisão estratégicas nas empresas. Como resultado de três dias de imersão, os representantes das empresas elaboraram estratégias de comunicação sobre a relevância das agendas socioambientais para a competitividade e perenidade dos negócios. O objetivo é entender canais para expandir a relação entre as áreas de sustentabilidade e finanças e relações com investidores e, assim, impulsionar a integração dos temas da sustentabilidade nas análises e processos financeiros, base para tomadas de decisão estratégicas nas empresas.  

Por sua tradição e relevância para a dinâmica do sistema financeiro brasileiro, o local escolhido para essa jornada foi a cidade de São Paulo, que desde o início do século XX congrega parte significativa das principais instituições do sistema financeiro tradicional. 

As atividades tiveram início com uma apresentação do professor Ricardo Rochman, da Escola de Economia da FGV (EESP), sobre finanças corporativas, introduzindo o tema e oferecendo subsídios para que os participantes pudessem conectá-lo com os demais atores que seriam visitados ao longo da jornada. Após essa introdução, os participantes seguiram para o Banco Central do Brasil, onde puderam conhecer a instituição, sua relevância e forma de atuação. Também discutiram com representantes do Banco Central a Resolução 4327 – que trata da Política de Responsabilidade Socioambiental para instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central – e sobre os próximos passos para a regulação e supervisão do risco socioambiental nas instituições financeiras. 

Na Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Mario Sergio Vasconcelos, diretor de Relações Institucionais, apresentou o trabalho da Febraban junto aos bancos para fazer avançar a agenda da sustentabilidade no setor financeiro. O grupo participou ainda de roda de conversa com Thais Fontes, gerente de risco socioambiental do Rabobank, e com Christopher Wells, superintendente de risco socioambiental do Santander, sobre a avaliação de riscos socioambientais para as decisões de crédito e investimento. A conversa também abordou o tipo de informações relacionadas aos temas da sustentabilidade que as empresas devem relatar aos investidores e financiadores.

O segundo dia da jornada empresarial teve início com um walking tour pelo centro de São Paulo, explorando a região da Rua XV de Novembro, antigo centro bancário da cidade e que ainda abriga uma das principais empresas de infraestrutura de mercado financeiro no mundo, a B3. Fábio Zenaro, superintendente de produtos da B3, falou sobre o mercado brasileiro de Green Bonds e seu papel no financiamento da economia verde. Na sequência, os participantes conversaram com representantes das áreas de relações com investidores da EDP, Telefônica e Estre. O objetivo era compreender como essas áreas funcionam, suas relações com atores internos e externos às empresas e, a partir disso, de que forma atributos de sustentabilidade estão ou não sendo considerados e combinados às análises financeiras. 


A tarde do dia 23 de agosto foi dedicada a conhecer propostas inovadoras para financiar soluções que respondam a questões socioambientais não atendidas pelo sistema financeiro de negócios tradicionais. Parte do grupo seguiu a trilha de investimentos e negócios de impacto social, e para isso visitou o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) – onde foi possível conhecer conceitos, categorias e atores envolvidos no investimento de impacto no Brasil – e, em seguida, conversou com a MOV Investimentos, gestora brasileira de investimentos de impacto, e Terra Nova, negócio social que recebeu o investimento da MOV e que trabalha com mediação de conflitos humanos para a Regularização Fundiária de Interesse Social em áreas urbanas ocupadas irregularmente. 

Outra parte do grupo dialogou sobre microfinanças e fintechs com professor Lauro Emilio, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças da FGV, e com Bruno Sayão, CEO da IOUU. A partir do resgaste histórico de microcrédito e microfinanças, o grupo explorou as soluções que vêm surgindo para inclusão financeira mais ampla e para que investidores tenham mais informações e possam acompanhar de perto atributos e desempenho de seus investimentos em relação a temas socioambientais. A IOUU surgiu com essa perspectiva e inovou ao conectar diretamente investidores e projetos que buscam investimento, sem intermediários financeiros.  Na sequência a conversa foi com Débora Della Nina, analista de parcerias da Sitawi, e representantes de cinco organizações sociais que atuam em periferias urbanas e estão estruturando o fundo É de Todos, entre eles Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta, e Thiago Silva, do Banco Comunitário União Maria Sampaio. 


Em comum, as experiências oferecem modelos alternativos para acesso a recursos financeiros por pessoas e iniciativas que corriqueiramente ficam à margem do fluxo de capitais. O segundo dia da jornada empresarial terminou no Parque do Povo, com compartilhamento de impressões e reflexões sobre suas conversas. 

Com o objetivo de trocar aprendizados e conectar os diálogos e experiências dos dois primeiros dias com as histórias de vida dos participantes e com os negócios das empresas representadas, o terceiro e último dia foi de imersão na Universidade Corporativa Pernambucanas, no Campo Limpo.