Oficina com empresas-âncoras e parceiros aborda ciclo de vida

No terceiro encontro da etapa de formação de parceiros comerciais das empresas-âncoras do projeto ICV Global, foram apresentados a primeira versão da ferramenta "Canvas - Modelo de Negócio", além de discutidos temas relevantes da sustentabilidade, como pensamento de ciclo de vida 15/03/2017
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Local:  FGV-SP, São Paulo/SP; 
Data: 07 e 09 de fevereiro de 2017
Projeto: Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global)
Participantes: Representantes das empresas participantes do 2º ciclo de ICV Global – Etapa com Âncoras
Apresentação: Ana Coelho, Beatriz Kiss, Paulo Branco e Ricardo Dinato (GVces); Regina Lúcia Gagliardi e Cuca Righini; 
Hanna Tatarchenko Welgacz (Apex-Brasil)
Texto: Jéssica Chryssafidis (GVces)
Fotos: Roberta Boccalini (GVces)
 

Dando continuidade à etapa de engajamento de grandes empresas na promoção da sustentabilidade ao longo de suas cadeias de valor, o projeto Inovação e Sustentabilidade nas Cadeias Globais de Valor (ICV Global) realizou a 3ª oficina em fevereiro passado, com a participação de pequenas e médias empresas parceiras das empresas-âncora deste ciclo - Duratex e Vicunha Têxtil.

Neste encontro, as empresas apresentaram a primeira versão da ferramenta "Canvas - Modelo de Negócio". Além disso, foram abordados os temas de internacionalização e competitividade, pensamento de ciclo de vida e interculturalidade.

Preparando o projeto de exportação e internacionalização

A partir do primeiro contato com a ferramenta "Canvas - Modelo de Negócio" na oficina anterior, neste encontro as empresas compartilharam os aprendizados desse exercício. O momento é de definir qual a proposta de valor da empresa em mercados internacionais e identificar os mercados-alvo que a valorizam.

O Canvas também tem como objetivos garantir que os recursos, as atividades e os parceiros necessários para a internacionalização estejam devidamente mapeados.

A experiência de desenvolver uma estratégia de exportação baseada no Canvas é muito positiva, porque fomenta discussões a respeito do próprio modelo de negócio da empresa e auxilia na definição de uma proposta de valor adequada ao segmento de mercado escolhido. A ferramenta serve de base na orientação das ações a serem executadas e interação com os stakeholders envolvidos no processo. Essa reflexão intensificou o potencial criativo do grupo, incentivando o desenvolvimento de práticas inovadoras.

Camila Celinski, da empresa Caemunn

Internacionalização: como competir em outros países?

Um projeto de internacionalização traz vantagens tais como a geração de novas fontes de receita, a obtenção de economias em processos produtivos e a geração de valor adicional à marca. Isso sem falar na possibilidade de acessar novas tecnologias e se diferenciar perante os concorrentes nacionais. 

Garantir que esse processo ocorra de forma competitiva nas cadeias globais de valor requer dos envolvidos a definição de estratégias e planos estruturados ao longo do tempo. 

“Não necessariamente uma empresa conseguirá replicar seu modelo de negócio nacional em outros mercados”, aponta Hanna Tatarchenko Welgacz, coordenadora de internacionalização da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). “Cada país e cada região funcionam de uma maneira diferente”. 

Estabelecer um processo investigativo nesse sentido é, portanto, benéfico para as empresas, pois possibilita conhecer os pontos fortes e as oportunidades de melhoria. 

Responsabilidades para além dos muros da empresa

O pensamento do ciclo de vida é um modo de pensar importante para que as empresas avancem na gestão das externalidades ambientais associadas a suas operações. Nesse modelo, o impacto real de um produto será calculado considerando as etapas para além das fronteiras corporativas, ou seja, desde a obtenção de recursos naturais até sua disposição final e pós-consumo. 

Segundo Beatriz Kiss, gestora da iniciativa Ciclo de Vida Aplicado (CiVia) do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (GVces), os conceitos de ciclo de vida estão diretamente relacionados às empresas que se desejam expandir suas operações para além das fronteiras nacionais. “Como é possível que a Europa passe a exigir declarações ambientais de produtos após 2020, muitos produtos brasileiros poderão enfrentar barreiras não tarifárias para exportação. Em outras palavras, elas precisarão, desde já, começar a entender a técnica da ACV, como quantificar os impactos ambientais de seus produtos e saber como comunicá-los aos compradores”. 

Alguns exemplos reais de como o pensamento de ciclo de vida pode ser aplicado na realidade dos negócios foram abordados durante a 3º oficina. 

No caso da Duratex, Fernanda Bueno, da área de sustentabilidade, compartilhou quais foram os critérios e premissas para a elaboração do estudo de pegada hídrica e pegada de carbono de um produto altamente representativo em termos de volume de vendas, da linha Deca. Essa atividade faz parte da estratégia de sustentabilidade da empresa e, segundo Fernanda, contribui para o desenvolvimento de novos produtos, bem como a melhoria dos produtos existentes. 

Já na oficina com as empresas parceiras da Vicunha, o pensamento de ciclo de vida foi exemplificado a partir de uma calça jeans, que é um dos produtos mais vendidos no mundo inteiro. Calcular quais os impactos ambientais vinculados ao seu ciclo de vida foi o objetivo de um artigo apresentado pelo pesquisador Ricardo Dinato do GVces, fruto das atividades desenvolvidas pela CiViA em conjunto com uma de suas empresas membro ao longo de 2016, a Renner.  

Competências interculturais fortalecendo os negócios

Além de discutir sobre os desafios da internacionalização de introduzir o pensamento do ciclo de vida, a terceira oficina também foi o momento sensibilizar os participantes para o papel que a cultura e os comportamentos dela advindos podem desempenhar na estratégia de internacionalização das empresas. 

Grande parte do que torna um processo de comunicação eficiente não está exclusivamente relacionado à mensagem, mas à forma como ela é transmitida, às expressões utilizadas e até mesmo à linguagem corporal do interlocutor. 

A partir do entendimento de que a bagagem cultural influencia na comunicação e nos processos de negociação entre empresas, a terceira oficina trouxe o primeiro módulo do tema “Interculturalidade e competências linguísticas”. 

Próximos passos

A etapa de engajamento de empresas-âncoras e suas parceiras se encerra com a realização da 4ª oficina, em março de 2017. Será o momento de estender os desafios da cadeia de valor para outras organizações, realizando um debate setorial sobre como avançar no campo da sustentabilidade e posicionar a cadeia como um todo de maneira mais competitiva em mercados internacionais.