Revista Página22 :: ed. 06 (março/2007)

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EDITORIAL - Lavoura arcaica ou moderna?

Mais de cem anos se passaram desde o início da era do petróleo. Nesse período, o desenvolvimento econômico e tecnológico entrou em fase de aceleração tão vertiginosa que o crescimento dos lucros parecia ilimitado. Tal processo, além de destruir biomas e exaurir recursos naturais, beneficiou apenas uma parcela minoritária da população do planeta.

Agora, os riscos de catástrofes associados às mudanças climáticas causadas pela civilização do petróleo ameaçam a todos. E as porções mais afluentes do mundo são obrigadas a olhar com interesse para o Sul, em busca de alternativas capazes de, pelo menos, minorar os danos em curso.

Em entrevista nesta edição, o astrônomo Martin Rees, presidente da Royal Society, afirma que este é um século especial e decisivo para a humanidade, e principalmente para países menos desenvolvidos. É nesses lugares que vantagens naturais aliadas ao desenvolvimento de tecnologias locais podem, pela primeira vez, criar soluções globais.

No Brasil moderno e arcaico, pólos de excelência tecnológica em bioenergia e ciência de ponta convivem com as tradicionais formas institucionalizadas de poder. Ensaia-se a idéia de liderar a nova civilização da biomassa, mas falta um projeto de desenvolvimento capaz de usar os biocombustíveis como motor de uma revolução socioambiental e econômica.

Com boas, mas pontuais, iniciativas em bioenergia, o País corre o risco de não saber aproveitar a oportunidade ou de encará-la com o velho oportunismo predatório. Pois o modelo energético que o mundo busca e o Brasil pode oferecer não diz respeito fundamentalmente a uma ou outra matéria-prima, mas a uma nova maneira de lidar com a agricultura, os negócios e a natureza. Se a sociedade brasileira se modernizou desde o último século, é hora de pôr à prova.

Boa Leitura

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