Revista Página22 :: ed. 07 (abril/2007)

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EDITORIAL - Parabólico Brasil

As lâmpadas elétricas e as telinhas iluminam os últimos grotões do sertão que Guimarães Rosa descreveu como aquele que “é do tamanho do mundo”. No extremo Noroeste de Minas Gerais, o município de Chapada Gaúcha, paradoxal até no nome, sintetiza um dos maiores desafios brasileiros: desenvolver e preservar. Abrir-se ao mundo e à modernidade, mas sem perder o eixo central.

Na comunidade de Vão do Buraco, a vereda é um oásis cercado de monocultura que avança para todos os lados, seja por terra, seja por ondas de rádio e TV. Estamos em uma verdadeira sociedade de massas, de fenômenos de larga escala, como diz o antropólogo Gilberto Velho, em entrevista nesta edição.

A globalização, o comércio internacional e a crise ambiental a cada dia aumentam a interdependência dos países. E o Brasil somente saberá se colocar nesse jogo de forças quando estiver muito seguro de suas potencialidades, que se mostram como talentos natos na forma da diversidade cultural, natural e humana.

O País é a parabólica capaz de captar todos os sinais à sua volta, e criar uma mensagem local, híbrida, inovadora. Para que deixe de ser a periferia do globo e se torne um centro irradiador, com voz própria – a voz que sai do Brasil mais profundo, aquele que não pode acabar nunca e é do tamanho do mundo.

Boa Leitura

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