Revista Página22 :: ed. 08 (maio/2007)

COMPARTILHE

EDITORIAL - Em Brasília, zero hora

Esta edição entrava em gráfica quando cientistas reunidos no Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) davam início aos trabalhos para a divulgação do terceiro relatório sobre mudanças climáticas. No primeiro documento, em fevereiro, o IPCC apresentou seu posicionamento sobre as alterações do clima, confirmando a influência da ação humana. No segundo, em abril, mapeou os impactos das mudanças em todo o mundo. Desta vez, indica o que pode ser feito para combatê-las. Em outras palavras, entramos em uma terceira fase, a de pôr a mão na massa.

Esse processo chega ao País com certo atraso. Transportandoo para as escalas nacional e individual, nem o governo nem a população parecem ter alcançado a segunda etapa, na qual é preciso dimensionar o tamanho do problema. Cidadãos e empresas preocupam-se pouco com seus impactos sobre o meio ambiente. E apenas agora o governo ensaia coordenar o mapeamento dos efeitos físicos, biológicos, sociais e econômicos do aquecimento no território nacional. Em vez de proporcionar um fórum democrático, os canais de comunicação em geral refletem interesses econômicos hegemônicos, vendendo a ilusão de um padrão insustentável de vida e de consumo.

Enquanto a busca por soluções começa a mobilizar o mundo, o velho Brazilian way-of-life persiste. Caberia repensar estrategicamente o País neste novo momento, mas o que se vê é a idéia de um crescimento econômico a qualquer custo.

A hora é de mudança, e o Brasil precisa entrar na corrida. A contagem do tempo começa agora.

Boa Leitura

Acesso à publicação