Revista Página22 :: ed. 10 (julho/2007)

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EDITORIAL - A Sustentabilidade é afirmativa

Certa vez, o então presidente do BNDES, Carlos Lessa, conhecido pelo pensamento desenvolvimentista, afirmou: “O Ministério do Meio Ambiente é o Ministério do Não”. Era o prenúncio de expressões tão atuais como “entraves ao crescimento”. De fato, o MMA tem entre suas funções a de proteger os recursos naturais. Obras que prejudiquem a natureza, e conseqüentemente a sociedade, devem mesmo sofrer restrições e adaptações, ainda que o setor econômico perca ou deixe de ganhar a curto prazo.

Mas o que se observa em relação a vários planos e projetos de interesse nacional é a precariedade da participação popular e da busca da sustentabilidade no processo de planejamento. Assiste-se a um debate estreito, restrito a setores econômicos e órgãos ambientais, aos quais só resta liberar ou “atrapalhar”.

Ao acenar com empregos, crescimento do PIB e megaprojetos, o governo busca, no velho estilo centralizador, dividendos políticos. Segmentos específicos da economia também se beneficiam da construção de grandes obras, o que abre campo fértil para desvios de verbas e corrupção.

Enquanto isso, manifestações populares mostram descontentamento com vários desses projetos, como a transposição do Rio São Francisco, que ainda assim será iniciada. Os manisfestantes sabem que há uma série de soluções alternativas e de menor impacto, seja para minorar a seca no Nordeste, seja para que o Brasil evite uma crise energética.

São atitudes propositivas, afirmativas, mas ignoradas ou rechaçadas por quem concentra poder de decisão – em geral, os mesmos que atribuem à área ambiental a pecha de só dizer “não”.

Boa Leitura

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