Revista Página22 :: ed. 15 (dezembro/2007-janeiro/2008)

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EDITORIAL - Avançar na Diversidade

O mundo se prepara mais uma vez para discutir o desafio do aquecimento global – as partes da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas se reúnem em dezembro em Bali. Do Congresso Mundial de Energia, em novembro em Roma, saiu a constatação de que as tecnologias disponíveis e o arranjo que até agora se esboça serão insuficientes para atender a demanda por energia e simultaneamente reduzir as emissões de gases de efeito estufa. O quebra-cabeça é complexo: como avançar na agenda de desenvolvimento humano e, ao mesmo tempo, respeitar os limites do planeta?

O momento parece propício para uma discussão mais profunda sobre as relações entre o homem e a natureza nas construções sociais que nos guiaram até aqui. Um mergulho nas origens dessas relações leva à religião, que nos acompanha desde tempos imemoriais e ajudou a moldar não só sociedades, como o meio ambiente em torno delas. As religiões organizadas começam a buscar respostas às aflições ambientais contemporâneas, mas foram elas, em boa parte, as responsáveis pelas visões da natureza que o homem nutriu ao longo dos séculos. Podem justificar e estimular práticas predatórias; por outro lado, também são capazes de promover a cooperação dentro dos grupos sociais e auxiliá-los na adaptação ao ambiente.

Em uma época globalizada, em que todos, independentemente de credo ou nação, contribuem para forçar os limites do planeta, serão os estatutos culturais que nos permitirão pensar sobre a natureza e nossas diversas ligações com ela. O novo campo da história ambiental, apresentado em entrevista nesta edição, explora justamente o alargamento das perspectivas – seja o antropocentrismo dos historiadores, seja o cientificismo das ciências naturais – para mostrar a possibilidade de transformação e de criação de sociedades absolutamente diversas. A oportunidade bate à nossa porta.

Boa Leitura

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