Segundo encontro do GT Infraestrutura e Tecnologia – 17 de maio de 2018

No dia 17 de maio, o GT de Infraestrutura e Tecnologia do projeto Bota na Mesa se reuniu pela segunda vez para avançar na construção das diretrizes para a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos. O encontro teve o objetivo de aprofundar em desafios que haviam sido mapeados na primeira reunião, e levantar possíveis ações para superá-los 07/06/2018
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Para melhor compreender as dificuldades que a agricultura familiar enfrenta para se beneficiar de infraestrutura e inovações tecnológicas, a primeira atividade do dia foi uma roda de conversa com especialistas convidados, seguida de um debate. Compuseram a roda:

  • Carlos Meira, chefe-adjunto da Embrapa Informática Agropecuária;
  • Guilherme Raucci, diretor da AgroSmart;
  • João Brunelli Junior, da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo.

Carlos trouxe uma visão de futuro da agricultura brasileira, compartilhando as principais tendências que a Embrapa visualiza para o setor. Entre elas estão a crescente transformação digital da atividade agrícola, a intensificação da produção para garantir a oferta de alimentos, e a busca por sistemas e processos produtivos mais resilientes e que minimizem impactos ambientais. Por outro lado, é previsto também um aumento dos riscos socioambientais a que o setor está sujeito, como os eventos climáticos extremos cada vez mais fortes e frequentes. Tendo em vista este cenário, é notável a relevância da tecnologia para enfrentar as adversidades que já batem à porta.

Um exemplo disso é a AgroSmart, startup que oferece soluções para agricultura de precisão e é caso de sucesso neste contexto de inovação no campo. A empresa foi fundada por filhos de agricultores que sentiram a necessidade de ter mais informações sobre a produção e o mercado para subsidiar a tomada de decisão. O primeiro produto, lançado durante a crise hídrica em 2014, busca otimizar a irrigação, monitorando a necessidade de água da plantação e minimizando o desperdício.

Guilherme contou a trajetória do negócio e a experiência junto à Coca Cola adaptando a solução para pequenos produtores de frutas que atendem a empresa. Para ele, um dos grandes desafios para a adoção das novas tecnologias não é mais a disponibilidade de serviços de conectividade no campo, e sim o aproveitamento das informações coletadas por estas ferramentas em benefício do negócio agrícola, e a juventude rural é um importante aliado para superar esta barreira.

De acordo com João Brunelli, a adoção dessas inovações pelo agricultor familiar esbarra em outro elemento crucial: a desconfiança do produtor, que leva ao receio de investir. “Existe um processo para se conquistar a confiança do agricultor. Ele precisa ter o apoio de um técnico em quem confia. Não adianta de repente aparecer um vendedor lá”, afirma. Fernando Xavier, da Cooaipro, reforçou este ponto, ressaltando a dificuldade que a cooperativa enfrenta para fazer investimentos em novas tecnologias, mesmo sabendo que há um grande potencial de retorno. Segundo ele, os produtores sentem falta de maior apoio técnico, que os ajude a tomar decisões como estas.

Brunelli destacou também a importância de se adequar as soluções ao contexto dos pequenos produtores. “Temos uma realidade muito diversa na produção rural. É difícil imaginar uma solução única que se aplique a todos”, apontou, trazendo como exemplo de sucesso o programa Microbacias II, desenvolvido pelo Governo do Estado de São Paulo, que apoia cooperativas de produtores no acesso a mercado por meio do fornecimento de recursos e apoio técnico para que as organizações invistam no maquinário e nos equipamentos necessários para a agregação de valor nos seus produtos.

Assuntos como acesso a crédito, fortalecimento do cooperativismo e habilidades de gestão e comercialização também foram abordados na conversa.


Após a roda, inspirado pelas discussões, o grupo levantou ações que governos e empresas do setor podem realizar para endereçar os principais desafios para a inclusão da agricultura familiar relacionados a infraestrutura e tecnologia.

Além do atendimento a demandas básicas, como a melhoria das estradas rurais e a ampliação dos serviços de conexão no meio rural, diversas ações foram propostas. Um ponto bastante presente na discussão foi a importância de promover maior diálogo entre os atores públicos envolvidos no tema, a fim de unir esforços e desenvolver estratégias mais alinhadas para atender as necessidades da agricultura familiar. Também foi mencionada a necessidade de aproximar o poder público e a iniciativa privada, para a construção de parcerias que levem mais conhecimento e inovação até estes produtores.

Outras ações foram apresentadas, como a criação de incentivos fiscais para empresas desenvolverem equipamentos adequados ao pequeno produtor, capacitação de técnicos de redes varejistas com profissionais da CATI e ampliação das linhas de microcrédito.

Os resultados deste encontro serão insumos para a equipe do projeto dar continuidade ao processo de construção das diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar na cadeia de alimentos. O grupo se encontrará novamente em agosto.

Quem estava presente?
  • Cooperativa de Produtores Familiares de Santa Isabel
  • Cooperativa Agrícola Sul Brasil São Miguel Arcanjo
  • Associação Agrícola de Valinhos e Região
  • Embrapa Meio Ambiente
  • Embrapa Informática Agropecuária
  • Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD – Casa Civil)
  • Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo
  • Coordenadoria de Desenvolvimento dos Agronegócios (CODEAGRO – SAA/SP)
  • Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (CATI – SAA/SP)
  • Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento de São Paulo (SMUL)
  • Instituto Beraca
  • Fundação Cargill
  • Go! Horti
  • AgroSmart
  • Raízs
  • Esalq/USP
  • Instituto BioSistêmico
  • Solidaridad
  • Sebrae (acesso remoto)