Segundo encontro do GT Juventude na Agricultura – 24 de maio de 2018

No segundo encontro do Grupo de Trabalho Juventude na Agricultura, no dia 24 de maio de 2018, em São Paulo, os participantes se reuniram para dar sequência aos diálogos para a construção das diretrizes públicas e empresariais para a inclusão da agricultura familiar 06/06/2018
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A partir de uma roda de conversas com quatro convidados externos foi possível avançar nos debates sobre a evasão da juventude do campo e conhecer experiências de sucesso em outras localidades brasileiras. Além disso, o GVces conduziu uma dinâmica em grupos com o objetivo de validar os temas que deverão compor as diretrizes, bem como mapear em ações a serem implementadas por empresas e por governos em cada um deles.

Foram convidados:

  • Nilson Weisheimer, professor permanente do programa de ciências sociais da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB);
  • Lucinei Paes, agricultora e pesquisadora sobre agricultura familiar, que atuou em Programas do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA);
  • Caio Duarte, jovem agricultor da COOPERAPAS na região de Parelheiros em São Paulo;
  • Paulo Santana, educador e diretor do Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA)


“Não temos que prender o jovem no campo – e sim criar condições para que ele possa escolher, que ele tenha a opção de ter uma vida com qualidade”. 

A fala de Seu Francisco, presidente da Coopmaio, resume bem as discussões do 2º encontro do GT juventude na Agricultura. Ao longo dos debates, foi consenso entre os presentes que as condições para que os jovens decidam sua trajetória de vida são desfavoráveis à permanência na atividade agrícola. E muitos dos motivos são comuns à agricultura familiar de forma geral: a dificuldade em obter renda e em acessar terra, elementos essenciais para a autonomia material desses jovens; as condições de trabalho; e também os estereótipos de que quem fica está para trás de certa forma, como menciona o jovem agricultor Caio: “muita gente acha que agricultura não dá dinheiro, dá apenas trabalho”. 

Contudo, se muitos dos desafios são “genéricos”, a experiência com jovens mostra que melhores indicadores são atingidos quando soluções são apresentadas com recortes específicos para a juventude rural. “A política é a mesma, mas a forma de tratá-la é diferente” – menciona Lucinei Paes. 

Em termos de ocupação profissional, Nilson Weisheimer ressalta que as atribuições não se resumem à reprodução das atividades desempenhadas pelos pais. Muitos dos jovens hoje querem ocupar posições de gestão de empreendimentos agrícolas, agregando valor aos produtos e também diversificando a produção. O jovem agricultor Caio Duarte, por exemplo, ao acompanhar seus pais em feiras de produtos orgânicos e notar o crescimento da demanda por cogumelos, percebeu o potencial promissor do cultivo. Após um consenso em casa, Caio iniciou um curso de formação em cogumelos. Este é um caso que remete à busca por autonomia da juventude, bem como à necessidade de poder participar das decisões da propriedade e da família


Outros dois assuntos que marcaram os debates foram: (1) a situação das mulheres jovens, que são mais propensas à evasão do campo em virtude de uma estrutura patriarcal; (2) a importância do diálogo com sistemas formais de ensino, assunto protagonizado pelo SERTA no Pernambuco. “Precisamos de escolas técnicas que formem agricultores”, ressalta Paulo Santana, educador do curso técnico de nível médio em Agroecologia.  “A agricultura precisa ser valorizada como uma profissão”, complementa.

Um dos motivadores do dia foi notar que, além da riqueza de elementos para as diretrizes, o tema da Juventude na Agricultura remete a uma forte interdependência em relação aos outros dois temas trabalhados em 2018 pelo Bota na Mesa. Em Relações de Consumo, fica claro o potencial que mercados e consumidores tem de impulsionar o aumento de renda e a valorização desejada pelos jovens. Já em Infraestrutura e Tecnologia, Nilson Weisheimer a traduziu de forma bem direta: “Jovens dizem que para ficar precisam pelo menos que o celular funcione”.

Estiveram presentes: 
  • Fundação Cargill
  • Cooperapas
  • Nestlé
  • Leão Alimentos
  • Coopmaio
  • Cooperativa Nova Geração
  • Technoserve
  • Solidaridad
  • Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD – Casa Civil)
  • Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB)
  • Serviço de Tecnologia Alternativa (SERTA)
  • Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri-SC – acesso remoto)