Viagem de imersão do FIS 10

Grupo inSPira visita ocupações em São Paulo e Recife 30/04/2015
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Por Milene Fukuda (GVces)

São Paulo - Manhã ensolarada. Sábado, 18 de abril.

Aqueles que ainda não conhecem a Praça Waldir de Azevedo, talvez fiquem surpresos com o tamanho dessa área verde na cidade e com a vista que ela resguarda entre suas árvores. Também conhecida como Parque Pinheiros, a praça foi o ponto de encontro da primeira atividade da Macro Imersão do grupo inSPira.

Carol Ribeirinha parte ativa do grupo responsável pela ocupação da apelidada “Casinha”, construção até então, abandonada há mais de uma década na praça, falou sobre o processo de reforma e formação de grupos e coletivos. A questão da autogestão foi assunto recorrente na conversa.

Deslocamento. Almoço. Casa do Povo.

O Edifício do Instituto Cultural Israelita Brasileiro, no Bom Retiro, foi outra ocupação interna explorada pelos fisers naquele dia. Chico Daviña guiou a visita pelo local, que já foi, dentre algumas coisas: escola, refúgio, teatro, e atualmente afirma-se como “lugar de memória e espaço de experimentação”, busca posicionar-se como vanguarda política e cultural.

“Dia um” terminou no Largo da Batata. Antes da viagem de Imersão, os fisers conversaram em aula com Laura Sobral do coletivo “A Batata Precisa de Você”, e então, foram conferir as atividades e ações regulares da ocupação. Alguns colocaram a mão na massa, outros sentiram o lugar de maneira mais observadora e contemplativa.

Domingo, dia de picnic na Praça Amadeu Decome e encontro com Carolina Tarrio do Movimento Boa Praça. A Carô além de propor uma maneira diferente de conhecer a praça (os alunos de olhos vendados exploraram a praça e os próprios sentidos), também conversou sobre relacionamento com o poder público e vizinhança.

Rumo a Praça Roosevelt.

A presença de um grupo, amontoado de 17 integrantes, por si só já representaria uma espécie de intervenção num dos palcos de skate do cenário paulistano, ao menos para os esportistas do local. Somado a isso, o grupo inSPira foi desafiado na hora pela equipe FIS a formar duplas para, de fato, realizar uma ocupação do espaço público gastando apenas 5 reais para executar a ação.

Teve de tudo, alguns reuniram sacolas cheias de bitucas de cigarro, outros distribuíram doces, uma dupla resolveu criar uma estrutura com sacolas plásticas para donos pouco educados de cães, teve também uma dupla que saiu a realizar sonhos com sua dose de boa vontade e alegria.

Fim de dia. Elevado Costa e Silva, vulgo Minhocão

Marco Silva, mais conhecido como Macarena, é colaborador da Festa Junina do Minhocão. Com experiência em eventos realizados nos espaços públicos de São Paulo, falou sobre horizontalidade nos coletivos e também contou aprendizados e desafios relacionados ao tema “Cidades para pessoas”.

Recife - Outra manhã ensolarada - Segunda-feira, 20 de abril

Mal desembarcou e já era hora do grupo do FIS 10 engatar em outra viagem. O destino dessa vez seria alcançado por meio de vias fluviais, era hora de encontrar com o coletivo responsável pelo Praias do Capibaribe. O projeto busca promover o convívio da população com o Rio por meio de atividades culturais e ensinamentos de eco-cidadania.

Praias nasceu da iniciativa “Eu quero nadar no Capibaribe. E você?”, idealizado por pessoas incomodadas em relação a falta de tratamento dada ao Rio Capibaribe. Cerca de 80% do esgoto de Recife deságua pelos mais de 20 canais espalhados ao longo da margem. 

Aula de meio ambiente, cidadania e show de criatividade com o casal proprietário do local. No Capibar, toda decoração foi feita com objetos retirados do rio.

#OcupeEstelita

Integrantes receberam os alunos para debater o movimento que já dura três anos e luta para que o Cais seja ocupado de forma a corresponder com as expectativas da sociedade de Recife como um todo.

O Edifício Pernambuco foi exemplo recifense de um espaço interno de coworking que funciona e abriga diferentes empresas, produtoras, artistas e outros profissionais autônomos. Na visita os fisers percorreram diferentes andares do prédio e conheceram os coletivos que ocupam o local.

No último dia antes de mergulhar nos trabalhos de Transdisciplinaridade, parte do Projeto de Si Mesmo, realizados junto com o psicólogo Vicente Góes, os fisers se reuniram com parceiros Instituto C&A e Fundação Anvina para uma conversa que beirou assuntos diversos e presentes no processo educativo e contexto da eletiva FIS.

O Projeto de Si Mesmo é desenvolvido a partir de um processo autoreflexivo e vivencial de natureza transdisciplinar que visa a emergência do sujeito. Se por um lado é o Projeto de Si Mesmo que nutre o Projeto Referência, por outro, o inverso também é verdadeiro. É na articulação dinâmica entre o olhar que se volta para o próprio interior e os acontecimentos do cotidiano que o aluno vivente pulsa, se lapida, se descobre e vai, assim, aos poucos, se aproximando novamente de sua humanidade.

Refugiados a poucos quilômetros da cidade, numa área verde e ampla, os fisers mergulharam nessa etapa tão importante do processo formativo. Vicente assumiu as atividades e dinâmicas que ajudaram a melhorar a qualidade da fala, escuta e relacionamento do grupo, visando o desenvolvimento humano sem esquecer a entrega do desafio imposto pelo Projeto Referência.

Próximos passos – Chega o momento da subida do U. Os fisers precisam agora concentrar esforços na elaboração e arrecadação para viabilizar a intervenção urbana prevista para junho. Acompanhe a página do grupo no Facebook e fique por dentro das próximas ações.

Fotos: Milene Fukuda (GVces)